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Terça-feira, Setembro 15, 2009 8:53 AM
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Nesse momento, o amor e cuidado incondicionais acabaram de deixar a casa.
E eu... ah, não pensei que fosse doer tanto. Me sinto mais desamparada do que nunca. Me sinto com mais incertezas sobre a vida do que nunca.
E sinto como se as dores da vida não passassem, só fossem se acumulando até o momento em que viver se tornará insuportável.
Revivi certos hábitos, irritações, saudades e muitas lembranças. Tive o gostinho do que é perceber de verdade que, independente dos defeitos, alguém te ama. Mas os pais sempre amam, né?
Só que agora, enquanto eles vão para o aeroporto, e eu para uma coletiva de imprensa, sinto... dor.
Desculpem esses desabafos por aqui.
Mas a casa está tão silenciosa e vazia que só tenho vontade de gritar..
Queria mais tempo... queria mais colo... queria mais abraços, risos e alegria.
Queria mais café da manhã, mais mania de limpeza, mais humor sarcástico e até discussões. Queria até mesmo os sacos de lixo do tamanho errado, e ouvir o chamado de "Palominha" ou "Papai" - como estranhamente meu pai me chama - duranto todo o dia...
Queria sentir que não faltam tantos pedaços no meu coração...
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Terça-feira, Setembro 08, 2009 7:26 PM
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Foi assim, pelo msn:
Pai: Papa, como você está?
Eu:(...)queria que vocês viessem aqui...
Eu: :(
Pai: vamos tentar
Eu: sei que tá difícil...
Depois conversamos sobre outras coisas e em um determinado momento:
Eu: Pai, você sabe usar o torrent? Eu queria baixar uma série e não sei usar...
Pai:Papa, eu uso o E-Mule...Eu e sua mãe estamos chegando amanhã no final de tarde em SP
E eu, louca, já começo a reclamar que eles têm que ficar mais, que não podem voltar na data que ele comprou porque por conta do trabalho só poderei ficar poucos dias com eles, e que a escolha do aeroporto foi ruim, e que estou com medo da chuva, e com medo da minha mãe ficar nervosa porque nunca andou de avião antes... até que meu pai tecla, provavelmente com a calma e serenidade irritantes e tão características, que se eu continuasse falando nisso, eles não viriam mais...
E estou tão feliz... e é tão surreal achar que eles, os dois, e juntos, estarão aqui amanhã.
E foi tão inesperado, tão de surpresa, que ontem eles mandaram alguns documentos que eu precisava por um amigo que voltou hoje de Salvador.
Preciso arrumar a casa e fazer mercado.
Preciso fazer um pacto com São Pedro para que ele acabe com esse tempo horroroso. Sei que só ficarei tranquila com os dois aqui no apartamento.
Eles estão chegando!
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