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Sábado, Junho 20, 2009 8:52 PM
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Estive pensando em inspiração.
Levei horas olhando para uma página em branco pensando sobre a melhor forma de começar algo que já está na minha cabeça há semanas.
Escrevia palavras, frases, e logo depois apagava. Hoje cheguei a quatro páginas... pouco. Mas não estou satisfeita. Talvez mude tudo amanhã.
Como deve ser a sensação de saber que foi você quem inspirou tal pessoa a fazer alguma coisa bacana, bonita, interessante ou, simplesmente, algo? Alguma manifestação artística ou pode nem ser arte, mas algo motivado apenas pelo existir do outro.
Isso deve ser sensacional. Sou fã de Marieta Severo só por saber que ela inspirou Chico para várias de suas coisas.
Tenho tatuado um desenho de Pablo Picasso. Ele tem uma série de pombas, que confesso não saber se foram feitas antes ou depois do nascimento de sua filha, Paloma.
Meu pai desenhou duas das minhas tatuagens. Uma inspirada em mim, e outra em minha mãe e eu.
Mas é claro que existe uma grande diferença entre inspirações paternais e maternais (afinal, filhos sempre despertam fortes sentimentos em seus pais), e a inspiração do outro. Seja amigo, amante... o saber que alguém sem obrigações e laços familiares te acha tão especial a ponto de... enfim... deve ser delicioso.
Não sei porque pensei nisso agora...
É mentira! Claro que sei...
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Sexta-feira, Junho 19, 2009 10:19 PM
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Memória.
Acabou de acontecer um fato estranhíssimo: esqueci o número da minha casa baiana.
Lembrei o nome da rua, o número do apartamento, mas tive que recorrer a um currículo antigo para lembrar o número do prédio.
Talvez pela enxaqueca que dura dois dias e não passa com nada, nem com o sono que costuma ser o melhor remédio.
Talvez pelo tempo, mestre do esquecimento, tão esperado em alguns momentos e tão assustador em outros, como agora.
Quando voltei lá após minha mudança de cidade, notei que esqueci o cheiro da casa, e por isso mesmo pela primeira vez senti o verdadeiro cheiro que a casa sempre teve, mas que eu nunca percebi, porque fazia parte dela.
Fechando os olhos agora consigo lembrar de cada cômodo e até mesmo de detalhes das paredes super coloridas.
Minha memória deve estar tão preguiçosa quanto eu nesse momento.
É isso.. preguiça. Deve ser...
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Quinta-feira, Junho 18, 2009 10:14 PM
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Enxaqueca...
Não falava com meu pai há alguns dias.
Hoje fui no cinema, assistir a "Apenas o Fim". E chorei do início até os créditos finais. Tanto que meus olhos estão ardendo, e a cabeça dói até agora.
Há pouco, meu pai ligou, preocupado, para saber como eu estava.
Gostei do filme. Impossível não comparar a "Antes do Amanhecer" e "Antes do Pôr do Sol", de Richard Linklater - tanto que existe uma citação bacana a "nos encontraremos em Viena".
Mas esses diálogos, diferentes por vários motivos dos de Jesse e Celine, ainda eram "localizados", do tipo que temos aqui, com referências, expressões e gírias usadas, pelo menos, pelo grupo ao qual pertenço - pessoas entre 20 e 30 anos, classe média, ligadas a cultura pop, nerdices, cinema e otras cositas más.
É claro que existem certas questões técnicas que deixam evidente ser um filme feito por uma galera de faculdade, diretor estreante etc. Mas o roteiro é legal. O humor é legal. A história é legal.
É o tipo de filme que sempre insisti que fizéssemos: adaptado às condições sem nenhuma condição de quem quer fazer cinema. Agora tenho um exemplo bacana para citar.
Erika Mader eu já conhecia (ela fez uma pontinha na última novela de Gilberto Braga, atualmente apresenta o "Lugar Incomum" no Multishow e é a cara da tia). Mas Gregorio Duvivier foi uma ótima surpresa. E para garotas como eu, que assumidamente têm uma queda pelos nerds, ele é estranhamente irresistível.
Me identifiquei com milhões de questões mas, um diálogo, uma frase, um pedido específico pareceu ter saído de mim, sem que eu ainda não tivesse conseguido externalizar isso. Não escreverei aqui.
E encerrar com Los Hermanos, foi o tiro de misericórdia.
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Quarta-feira, Junho 17, 2009 9:09 PM
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E voltando ao tema exposição... esse é sempre o grande problema.
Porque, se é assim, em qualquer curso universitário da área de humanas (nem citarei as outras aqui), em que a maioria do conhecimento é passado por teóricos, livros, textos e palavras, qualquer um pode ser autodidata, frequentar bibliotecas e após algum tempo sentir que pode ser ou não especialista naquele assunto e fazer dele sua profissão, certo?
Mas o jornalismo expõe, critica e atrapalha. Nem sempre é feito de forma correta e responsável. Assim como o Direito. Até como a medicina.
É tão ridículo isso tudo, tão patético. Se acham a formação universitária em jornalismo dispensável, outras deveriam ser questionadas também. Mas outras não envolvem tanto opinião pública, principalmente no que diz respeito às ações políticas dos que votam para que o diploma seja dispensável.
Em algumas emissoras de Salvador, era. Alunos de história, administração ou sei lá o quê eram estagiários em programas de tv, fazendo reportagens. Isso sempre aconteceu. A partir de agora, continuará acontecendo, só que "sem-vergonha"? Porque a lei agora permite?
Fato é, que nas grandes empresas jornalísticas, onde (eu sei bem do que estou falando) é difícil entrar, não acho que a porteira vá ser aberta agora que o diploma não é mais exigido. As indicações continuarão, e a formação continuará sendo cobrada. Ou será que não?
Será que estou sendo ingênua e a partir de agora é que tudo será mais difícil? Se eu achava que ter graduação e especialização me servia de alguma coisa, agora é que verei uma maior quantidade de filhos, sobrinhos, afilhados, "atrizes, cantoras, modelos e manequins" assinando matérias em jornais e segurando o microfone com mais frequência?
É tão absurdo pensar que alguns políticos que sabe-se lá qual a formação que têm possam julgar que quatro anos estudando teorias, formatos, gêneros, lides, casos, e testando, e fazendo nos mais diversos meios, sobre os mais diversos temas não sirva pra nada.
É tudo tão absurdo.
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Segunda-feira, Junho 15, 2009 8:43 PM
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Paloma é uma menina teimosa.
Ela sabe que não deve colocar o dedo na tomada, porque dá choque.
Sabe que não deve brincar com fogo, pra não se queimar (ou fazer xixi na cama).
Sabe que não deve futucar, olhar, mexer, procurar.. porque um dia, pode achar.
E depois que acha, não gosta. Mas procura mesmo assim.
Agora aguenta menina chata. E sem reclamar.
Cresce Paloma, vê se cresce de uma vez.
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Domingo, Junho 14, 2009 10:25 AM
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A garrafa de azeite continua fechada.
Minha casa tem mudado aos poucos. Seja no estranho alagamento do banheiro que acontece toda vez que tomo banho, ou porque comecei a readaptá-la para casa de uma pessoa só.
Na verdade, acho que a maior mudança é na minha maneira de olhar e estar nela, intensamente por falta de opção, mas em clima de despedida. Será estranho mudar, ainda não sei para onde. Será estranho desmontar a casa onde morei só pela primeira vez, e que deixei do meu jeito. Mas as mudanças são inevitáveis mesmo. E como sempre, tenho medo. E como sempre, não fujo delas; posso até tentar evitar, enrolar, escapar de leve... mas nunca consigo fugir.
No sábado de manhã, após uma noite e madrugada insanas onde bebi demais, dancei demais, cantei demais, falei demais, ouvi demais e senti tudo ao mesmo tempo, fui acordada com uma missão difícil.
E cumpri com o coração apertado, e não larguei até o momento em que me despedi e ela foi para Salvador. Espero que tudo esteja bem, quer dizer, eu sei que bem não estará, mas que a família que me acolheu e virou minha família aqui, esteja junto da família que tanto faz falta, e que todos se apóiem, e que saibam que estarei aqui, pro que for preciso.
Mais uma vez, a distância se torna assustadora.
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Quarta-feira, Junho 10, 2009 8:04 AM
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Fim dos tempos.
Seguindo a fórmula genial da "Casa dos Artistas", ontem Magrão e Maria me apresentaram à vídeos de barracos no novo reality da Record. Algumas pessoas que estão lá, na "Fazenda", são tão loucas, que até criei uma certa simpatia por Dado Dolabela. É o fim do mundo.
Tenho dormido muito, e muito cedo. É a minha fuga para o mundo dos sonhos e tentiva de acabar com a exaustão diária. E quando acordo muito cedo, com a sensação de que dormi demais e que devem ser umas 10h, 11h da manhã, me surpreendo quando o relógio mostra o número 6, no máximo 7.
Mas sou diurna e gosto de acordar cedo. O problema é só organizar o aproveitamento do dia para que ele não se torne maçante e longo demais.
Preciso tirar as roupas brancas do varal, liberar o sofá de uma outra montanha de roupas usadas ao longo das últimas semanas, e separar em grupos as prioridades de lavagem.
Pela primeira vez, fiz compras em um brechó. Me diverti garimpando peças com Maria e me apaixonei por duas do melhor tipo: bonitas e baratas. Elas são meu maior estímulo para hoje, lavar roupas. O cheiro de mofo, tão característico de brechós, precisa ser eliminado para que, agora, as duas camisas de botão sejam completamente minhas.
Queria cortar meu cabelo curto, como Maria fez ontem. Queria pintar de preto, ou descolorir até ficar branco. Queria fazer várias tatuagens novas; já sei pelo menos quais serão as próximas três. Queria mudar um pouco. Mas por enquanto, terei que me contentar comigo desse jeito.
Di não vem mais no São João. E eu também não sei para onde vou nos próximos meses.
Há semanas tento abrir a nova garrafa de azeite sem sucesso. Ontem, tentei abrir uma garrafa de refrigerante e não consegui. A técnica usada no pote de geléia de damasco não foi o bastante. Usei faca, tesoura, alicate, serrote, lixa de unha, canetas, misse de cabelo, acetona, explosivos de alta complexidade e nada. O azeite e o guaraná continuam fechados.
Acho que estou perdendo meus super-poderes.
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Segunda-feira, Junho 08, 2009 6:00 PM
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A busca por trabalho é bem cruel.
Nas últimas semanas apareceram vagas interessantes, para funções em que eu era completamente qualificada.
E me empolguei, preparei material e enviei dentro dos prazos determinados. Nas duas situações, não cheguei nem à etapa de testes e entrevistas.
De repente, as datas mudam, as entrevistas já estão em andamento e mais uma vez, nada acontece. No último, a explicação para que o material que enviei um dia antes do prazo final não fosse aceito foi "pressa do cliente".
E fico sem saber o que fazer, como agir, o que falar, como tentar. Fico totalmente perdida a cada notícia de recusa.
Estou me sentindo exausta.
Esse é o mundo real.
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Sexta-feira, Junho 05, 2009 9:37 PM
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Receitas para o "não-pensar":
1 - Dispositivo que interfere em ondas cerebrais e apaga algumas memórias;
2 - Pensar em outras coisas;
3- Meditar;
4 - Beber;
5 - Usar entorpecentes;
6 - Assistir seriados de investigação;
7 - Trabalhar enlouquecidamente;
8 - Dormir.
Desde muito pequena penso demais. E desde muito pequena tento encontrar formas de parar de pensar por alguns momentos; de conseguir controlar a mente e para onde ela segue.
Ainda não aprendi. Ainda exploro até a fonte secar, o tempo passar e a cabeça ser renovada de coisas boas, tristes, raivosas, confusas, alegres, irritantes, triviais, complexas...
Alguns recursos distraem os pensamentos. CSI e Law and Order funcionam melhor nesses momentos do que Sex And The City e Grey's Anatomy, por exemplo.
Acompanhar os detalhes que fazem a diferença na descoberta daquele serial killer e de como ele cometeu os crimes e de como descobriram que era ele, ocupa mais espaço na cabeça do que conversas sobre pessoas e sentimentos. Principalmente quando o objetivo é exatamente esquecer de pessoas e sentimentos.
Outros, como a bebida, não adiantam tanto. Quanto mais eu bebo, mais fico com medo de passar mal e perder o controle e penso exatamente nisso obssessivamente. Mas, parando para pensar, se o objetivo é afastar pensamentos específicos, a substituição por esses é eficaz. Então, bebida funciona.
Mas o mundo dos sonhos sempre é o melhor remédio, pena que dura a menor parte do dia. E dependento dos tais pensamentos dos quais eu quero fugir, aí é que esse tempo de "descanso" é completamente reduzido.
Sonhar não conta. Os sonhos, mesmo que produzidos por algum lugar escondidinho no cérebro, seguem lógicas diferentes, não lineares e não necessariamente relacionadas com o momento. Pelo menos não de forma explícita.
E fora os pesadelos, sonhar faz bem, mesmo quando somos apenas observadores dos acontecimentos, quando eles não dependem das nossas ações, dos pensamentos e atitudes daquele momento.
Estou preguiçosa... cansei de pensar.
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Quarta-feira, Junho 03, 2009 8:19 AM
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Estou com frio.
Eu tinha me esquecido como é possível fazer muito frio em SP. Dói lavar as mãos (mania que deverá ser controlada nesse época), dói lavar os pratos, dói tirar a roupa para entrar debaixo do chuveiro quente, dói tomar banho quente - porque nunca gostei mesmo -, dói colocar o óculos de armação metalizada para ficar na frente do computador, e dói sair de debaixo do meu edredon.
É legal poder usar meia-calça, bota, cachecol, gorro e casacos que te deixam bonita e elegante, mas... seria possível usar tudo isso, com algumas adaptações, com um pouco mais que 9 graus.
Em Salvador, nesse época também faz frio... talvez uns 25 graus?
Ontem recebi um telefonema, sobre minha mãe. Agora está tudo bem, mas a distância é terrível nesse ponto: saber e saber que não é possível fazer nada. E apenas esperar... se eu estivesse em Salvador, um mal estar, uma queda de pressão, um desmaio não teriam tanto efeito quanto têm se ouço daqui. Mas está tudo bem.
Quando estou sozinha, a maior parte do tempo desde que me mudei, durmo com a TV ligada. É a melhor companhia dos solitários. E gosto de acordar e olhar para algum movimento... dá pra entender? Mas é fato que preciso repensar a escolha do canal.
Nas últimas semanas tenho despertado muito cedo, por volta das 6h30, 7h da manhã. Acordo vendo o jornal, para acompanhar notícias do tempo, horário e da cidade. Mas eu já começo o dia presenciando desgraças. Acho que dormirei vendo a MTV.
A pior cena nas últimas semanas nem foi o atropelamento proposital de dois rapazes, os milhões de acidentes mortais e diários que envolvem motoqueiros nas ruas da cidade ou os assaltos violentos.
O pior foi acompanhar, no primeiro dia em que o avião que fazia Rio-Paris caiu no mar, um sitaução extremamente ofensiva.
Sandra Annemberg entrou ao vivo chamando uma repórter que estava no aeroporto carioca. A repórter, nunca vista antes por esta que vos escreve, nitidamente nervosa, estava grudada em um rapaz de boné azul. Ele era o irmão de um dos passageiros e estava lá, procurando informações ao mesmo tempo que não largava o celular dando notícias para familiares.
Tanto a repórter da Globo, quanto de outras emissoras o cercavam, em um muro de câmeras e microfones, enquanto ele se refugiava contra uma parede tentando, com um pouco de privacidade, falar com o pai.
Eu e Sandra Annemberg ficamos contrangidas, impossível não notar. E ao mesmo tempo, não era possível perceber se a repórter era o tipo carniceira que só queria uma declaração, ou, apesar de se sentir mal, ela sabia que precisava desesperadamente de uma declaração para não levar esporro do editor quando chegasse na redação.
O jornalismo pode ser muito cruel.
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Segunda-feira, Junho 01, 2009 11:25 AM
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Juana e Maria são meus amores paulistas. São lindas, estilosas, inteligentes, divertidas e me alimentam. As duas cozinham bem e são sempre solidárias com a amiga incompetente na cozinha.
Elas sempre têm ouvidos e ombros disponíveis e, para minha sorte, também gostam de mim. Fico muito feliz, muito, por ter encontrado e grudado nessas pessoas aqui em SP.
O fim de semana foi agitado. Eventos bacanas nos dois dias, com pessoas, conversas e situações surreais.
Fiquei pouco tempo em casa, o que é muito bom. A cabeça se manteve ocupada com outras questões e preocupações diferentes das que têm sido frequentes, como por exemplo, evitar que bolas de soprar estourassem na minha cara.
Confesso que o peito apertou um pouco pensando nos acontecimentos em Salvador. Gravação dupla de videoclipes de bandas amigas. Situações em que eu participaria, de alguma forma. Feliz em saber que deu tudo certo, mas triste com a distância que faz coisas desse tipo. Mas, se não era pra ser, não era pra ser.
E por aqui, garotas se divertiram. Venceram a timidez e gritaram, estalaram os dedos e mostraram todo o potencial de "mulheres de verdade".
Mulheres que vêem as contas chegando por baixo da porta no início do mês e têm que se virar para pagar tudo na data certa, arrumar a casa e um novo emprego, lavar os pratos, tentar cozinhar nem que seja um omelete torto, fazer depilação, as unhas dos pés, manter os cabelos bonitos, a pele hidratada, os dentes brancos e o sorriso sempre presente. Mas a ausência de sorriso vez ou outra também faz parte de um certo mistério, o charme feminimo que podemos ostentar.
Mas a roupa branca continua no varal, estendida há pelo menos três semanas.
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