SOBRE O BLOG
Paloma saiu de Salvador para tentar ganhar o mundo na cidade cinza.

Acompanhe aqui as aventuras dessa soteropolitana em Sampa.


SOBRE MIM
Jornalista e ainda na casa dos 20. Gosto de música (do tipo boa), Chico Buarque, cinema e tv, livros, revistas e fofocas, de rosa, pavê, wrêwrê, sanduíche e uma lista sem fim!


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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009
10:52 PM





Um dos meus livros preferidos é "A Insustentável Leveza do Ser", de Milan Kundera. Por milhões de motivos, eu adoro a história de Tomás e Teresa, mas eu gosto mesmo é de pensar sobre essa questão do "peso" e da "leveza".

Minto, não gosto, mas penso muito porque vivo numa busca incansável por ser alguém leve que tem a mania de carregar o peso do mundo nas costas.

A única coisa que não admito que digam, e ouvi hoje de alguém muito querido, foi que "você se apresentou para mim de outra maneira". Isso não. Nunca neguei que tenho neuroses e que sou uma pessoa difícil. Mas é claro que também não saio anunciando isso aos quatro ventos - é muito estranho conhecer alguém e já fazer uma listinha de defeitos e qualidades. Isso seria esquisito. Isso é repertório de participante do BBB.

O correto é conviver, conhecer e aprender a lidar. Eu nunca, NUNCA fingi para ninguém ser o que não era. Se eu fosse tão terrível assim, acho que seria mais solitária... sei que posso ser insuportável; mas sei que também posso ser legal muitas vezes. E sei que às vezes sou eufórica, alegre e divertida. E outras sou triste, mal-humorada, agressiva e sarcástica. Eu sou normal. Alguém que sente e demonstra de imediato.

E me odeio, milhões de vezes por fazer merda, por sentir certas coisas, por agir de maneiras estúpidas. Eu me odeio por muitas vezes me tornar alguém que eu luto tanto e sempre lutei para não ser. E eu sei que já melhorei muito. E sei que ainda tenho muito para melhorar. Mas me entristece tanto ser julgada só pelos momentos ruins, e ser "aquela" pessoa.

Ontem eu fiquei tão feliz porque em uma conversa de bar, uma das minhas amigas mais queridas e que em pouquíssimo tempo de SP me conheceu tão bem, e melhor do que muita gente, me disse que eu não era o tipo de pessoa "pesada". Porque o gostar do outro também envolve isso, conhecer, entender e saber lidar.

Eu tento, mas também acho que mereço compreensão de vez em quando. Hoje estou triste, mas amanhã não estarei mais. E tudo será diferente, com a leveza necessária para que tudo se resolva no fim das contas. É só o que quero.

E desculpem pela quantidade de "Eus"... acho que exagerei, mas esse aqui é o meu divã.


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Terça-feira, Fevereiro 24, 2009
8:59 PM





Hoje, por um segundo, olhei para um objeto da minha casa e não o reconheci. E logo depois percebi que o estranhamento foi pela diferença entre o tal objeto daqui e o correpondente à ele da minha casa em Salvador. E achei a sensação tão estranha, afinal, há meses isso não acontecia.

E hoje por alguns segundos voltei a me perguntar "que diabos estou fazendo nessa cidade?", com uma vontadezinha de largar tudo, sair correndo e voltar pra casa... isso também não acontecia há muito tempo.

Estou no meio de um turbilhão emocional. Na real, sempre estive. Mas ultimamente tudo tem sido muito. Talvez porque comecei a tomar anticoncepcionais; talvez porque eu esteja trabalhando com algo que nunca fiz antes e toda a insegurança do universo que estava adormecida voltou; talvez porque eu esteja num novo relacionamento com Reure dentro de um velho relacionamento e ainda não sei bem como lidar com isso... são muitas variáveis que talvez, para alguém do tipo sempre "relaxado" (observação feita com muita invejadesse grupo de pessoas que habitam o planeta) não seria nada. Mas pra mim, tudo é muito.

Sim, acho que estou numa TPM braba. Mas não dizem que com anticoncepcional a TPM desaparece? Será que é porque meu organismo ainda não teve tempo de absorver os efeitos milagrosos da pílula ou talvez porque eu tenha uma TPM permanete e incurável? Hoje estou enlouquecendo... espero que amanhã não.

E o carnaval acabou. E eu nem vi começar fora das páginas do globo.com ou da tela da Band Folia. Ah, a transmissão da Rede TV merece uma citação. Pronto, citei.

Eu também deveria falar do Oscar, né? Mas deu preguiça... no próximo post escreverei algo legal, prometo!

Quer dizer, não sei se conseguirei cumprir a promessa.. não sou uma pessoa criativa, e cada vez mais tenho certeza disso. Triste, sim, é verdade.


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Domingo, Fevereiro 22, 2009
11:24 AM





Ah! imagina só que loucura essa mistura

Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia

De todos os santos, encantos e axés, sagrado e profano, o baiano é carnaval

Do corredor da história, Vitória, Lapinha, Caminho de Areia

Pelas vias, pelas veias, escorre o sangue e o vinho, pelo mangue, Pelourinho

A pé ou de caminhão não pode faltar a fé, o carnaval vai passar

Na Sé ou no Campo Grande somos os Filhos de Gandhi, de Dodô e Osmar

Por isso chame, chame, chame, chame gente

Que a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta

É um verdadeiro enxame, enxame, enxame de gente

E a gente se completa enchendo de alegria a praça e o poeta

(Chame Gente, de Moraes Moreira)

Simplesmente porque é carnaval, bem longe daqui...


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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009
3:05 PM





Ontem, dia 17 de fevereiro, completei 1 ano em SP. E não tive tempo para atualizar o blog.

Já não me sinto mais como uma estranha, forasteira em uma cidade que deveria servir apenas para ser visitada durante uma semana, afinal, nem os pontos turísticos e de comprar são tão extensos para que passeios em SP durem mais que isso. Pelo menos para o tipo de lazer que me atrai.

Não sei se um dia considerarei essa cidade como minha casa. Acho que minha casa, seja por costume, identificação, formação e saudades será sempre Salvador. É lá onde as pessoas falam como eu, entendem certas gírias, se identificam relembrando os carnavais, shows no Espanhol, banhos de mar no Porto da Barra no período de férias, viagens para Morro, Arraial e Amargosa. Lá elas se emocionam ouvindo "Chame Gente", comendo acarajé e olhando o mar. Tá, acho que isso só acontece quando a gente vai embora e tudo parece ser mais legal do que era quando fazia parte do cotidiano.

Mas ainda não gosto de SP; definitivamente essa não seria a minha escolha de cidade, se eu pudesse ter outras escolhas. Acho que falei uma grande asneira. Porque estou aqui, por uma escolha que fiz, sem ser obrigada por ninguém. Julguei que seria melhor para o meu tipo de trabalho, melhor do que qualquer outra cidade do país. Talvez tenha me enganado bastante. Desde que cheguei aqui, em um ano, não trabalhei no que vim procurar. Hoje estou numa situação nova, que talvez indique uma opção pela qual eu me apaixone e perceba que mudanças são bem-vindas, boas e necessárias.

Talvez não seja só fazer entrevistas, escrever ou editar matérias sobre cultura que me realize. E hoje acredito que não precisa ser apenas isso. Mas também, acho que pensar assim até aqui foi bom para pelo menos me manter em um caminho, e não me arrastar para outras situações como concursos públicos ou sei lá o quê, que para mim, sinceramente, nunca serviriam em nenhum aspecto de satisfação pessoal, mesmo pela estabilidade e todos os argumentos que quem faz usa.

Adoro alguns aspectos de SP e da minha vida aqui. Não gosto tanto de outros. Mas fico feliz por ter crescido em Salvador, e por estar crescendo de uma forma diferente fora de lá.



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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
9:10 AM





Parabéns, Soteropolisampa!

No dia 9 de fevereiro de 2008, menos de uma semana antes de mudar para São Paulo, comecei a escrever nesse espaço. Sempre pensei em ter um blog, exatamente para exercitar a escrita, mas nunca havia encontrado um motivo que realmente me estimulasse a isso. Uma grande mudança de vida e a vontade de deixar os que deixei em Salvador sempre atualizados do que se passava na minha nova rotina, foram minhas principais razões.

Reure fez todo o layout para mim, ouvindo pacientemente meus pedidos e pitacos. Ele, que desde sempre teve blog (e foi muito interessante no início do nosso namoro para me informar o que passava pela sua cabeça), deixou isso aqui com a minha cara. São detalhes sutis, como o desenho de uma das minhas tatuagens, minha letra no "letreiro" principal, as cores, coqueiros, rede e pernas, mesmo que não sejam as minhas.

E assim comecei, descrevendo a preparação para a viagem com todas as angústias, despedidas e dúvidas. Depois mudei, e continuei com angústias, dúvidas e muitas novidades. Novos cenários e personagens importantes foram adicionados à trama da minha vida. Pequenos detalhes poderiam tomar grandes proporções, a depender do impacto causado no meu dia-a-dia. Matar uma barata, pegar o mesmo ônibus que o cantor de uma banda querida, ir sozinha para o cinema, aprender a morar sozinha, ficar sem o namorado, terminar uma monografia, o novo trabalho e milhões de experiências marcantes de alguma maneira para mim, deram o tom e forma ao meu Soteropolisampa.

Não sou um bom exemplo de atualizações constantes, mas acho que o importante foi relatado aqui. Às vezes sou detalhista; outras vezes não. Às vezes acho que os detalhes não cabem aqui, e os deixo guardados na minha cabeça. Mas admito que esse espaço sempre foi a melhor válvula de escape que eu poderia ter, pelo menos para o que poderia ser contato publicamente. Porque confesso achar muito estranho e fascinante o fato de ter leitores desconhecidos. Nunca achei que minhas histórias fossem interessantes para quem nunca me viu na vida. Mas eu também nunca vi Garcia Marquez pessoalmente... ok, exagerei. Gosto mesmo de saber que pelo menos, esse meu exercício de desabafo e narrativa é atraente para quem não faz parte dos acontecimentos. Isso é muito legal.

Talvez eu nunca tenha filhos e nem plante uma árvore...


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Sábado, Fevereiro 07, 2009
12:20 PM





Surto.

Assumo que estou um pouquinho estranha. Não sei se pelas pequenas doses diárias de hormônios que comecei a ingerir há uma semana, pelo medo de começar a fazer algo novo e falhar, ou porque simplesmente sou uma louca neurótica que costuma ter picos de estresse vez ou outra.

O pior de tudo é assustar quem não está acostumado com isso.

E nesses momentos de surto eu me odeio, e enlouqueço mais ainda por surtar por motivos incompreensíveis para as outras pessoas.

A gripe me derrubou nos útlimos dias.

Apesar das milhões de coisas que tenho para fazer, mesmo que a minha cabeça não páre de pensar nisso por nenhum segundo, o corpo pediu descanso.

E assim estou..quase arrancando o nariz que não pára de escorrer, cobrindo o chão da casa com milhões de lenços de papel, sendo cuidada pelo namorido prendado que é melhor "dona-de-casa" do que eu, e tentando escrever algo interessante aqui sem sucesso.


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Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
11:06 PM





Dia de trabalho braçal.

Hoje ajudei na arrumação da nossa nova sala numa casa do Itaim. Nessa casa já existe uma firma de engenharia, um estúdio de gravação, edição e também ensaio, e agora a produtora. Daqui a pouco, teremos também uma cesta de basquete, videogames, uma pista de autorama, boliche e salas subterrâneas. Ok, as últimas opções foram apenas devaneios dos meninos com quem conviverei nos próximos dias, meses e até anos, quem sabe. E virarei um menino. Hoje já comecei. Além de ajudar na limpeza, usei uma chave de fenda como poucas vezes na vida. Meu pai de orgulharia de mim.

Nunca escondi que prefiro os homens. Fora o fato de ser heterossexual, nunca tive problema nenhum em estar em lugares cheios de meninos, sem outras representantes feminas para me "salvar" com conversas fúteis. Eu adoro conversas fúteis. Mas não nego que me sinto muito mais à vontade, principalmente em ambientes onde conheço pouca gente, quando a maioria dessas pessoas são do sexo oposto. Sentirei muita falta, como já disse no post anterior, de conviver com a mulherada no Hospital. Mas esses dois dias com André, Adriano e Fábio têm sido bons, tranquilos, leves e divertidos, como normalmente não são para mim no início de novos trabalhos. Tudo bem que esse ambiente é completamente diferente de todos os outros em que já precisei trabalhar. Isso conta muito.

E estou muito feliz porque finalmente André e eu começaremos a trabalhar juntos, nos milhões de projetos legais sobre os quais conversamos incansavelmente no último mês. Hoje eu o vi com uma imensa alegria e empolgação quando colocou alguns de seus bonequinhos nerds nas prateleiras da parede branca. E fico feliz por participar disso. Por dar sugestões, saber que sou ouvida, por estar ali...

Ainda estranho ouvir que sou sócia da "Noizy Pictures". Quem sabe um dia acostumo...


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Domingo, Fevereiro 01, 2009
10:28 AM





Fevereiro chegou. E as mudanças começam de verdade a partir de amanhã, dia de Iemanjá.

Durante toda a semana tive uma rotina tranquila no hospital, finalizando questões, repassando todo o meu conhecimento adquirido em 6 meses de assessoria para a "nova Paloma" e me despedindo das pessoas. Escrevi um roteirão básico de vídeo para um dos projetos de lá. Foi muito elogiado. O engraçado é que nem achei tão bom assim. Mas fiquei muito feliz que a minha última missão foi cumprida com sucesso. Principalmente por ser um roteiro, prévia de uma das minhas funções no novo trabalho. Ok, serão tipos completamente diferentes, mas mesmo assim, pensados no contexto audiovisual.

Na sexta-feira, embaixo da maior chuva, partimos para o meu bota-fora. Foi ótimo. Fiquei bêbada, mas ninguém percebeu. E me despedi direito de pessoas que gostei muito de conhecer. São pessoas, a maioria delas, diferentes de mim e que provavelmente eu não conheceria fora desse ambiente profissional, mas que nos momentos "após das 18h", se mostravam ótimas companhias de happy hours. E sentirei saudades das meninas e das nossas conversas de meninas, sobre meninos, cabelo, unha, roupas, depilação e bobagens que várias mulheres juntas costumam falar. E até mais além disso, porque também falávamos de questões sérias, complexas e profundas capazes até de trazer lágrimas aos olhos.

Não sentirei falta do tipo de trabalho, porque nunca gostei de fazer assessoria de imprensa e nesses meses apenas consolidei minha certeza. Mas também, esse foi o trabalho que surgiu no momento certo e que me permitiu continuar aqui e conhecer as tais pessoas bacanas não citadas nominalmente acima, mas que sabem que eu gosto muito delas. Espero que saibam. E que tenham a certeza que quero continuar a vê-las sempre que possível, seja no acarajé, no The Clock ou em qualquer boteco pela região. Mas não farei promessas aqui porque também me conheço e sei que sou do tipo ausente, que quando muda de ambiente, não consegue se manter presente no que ficou para trás por estar completamente obcecada pelo novo... é um grande defeito meu, sempre foi.

Eu sempre fui "a" diferente no hospital, com sotaque diferente, cabelo diferente, roupas diferentes e tatuagens. Agora parto para um ambiente onde sou "normal".. e se duvidar, normalzinha até demais.

E ontem, em uma noite um tanto quanto surreal, tive uma idéia de como ficará minha nova sala de trabalho após uma pequena reforma. Na verdade, as noites de reuniões e saídas relacionadas ao meu novo trabalho têm sido sempre surreais, com encontros inusitados e pessoas novas, algumas de que sempre ouvi falar por lê-las em revistas ou vê-las pela tv ou cinema, e que simplesmente aparecem na minha frente para bate-papos informais. Isso é bem interessante, principalmente, porque todos são simplesmente pessoas.

Amanhã tem festa no Rio Vermelho. E eu, que nunca fui a nenhuma, só porque estou longe queria muito acordar cedo, enfrentar a multidão e molhar meus pezinhos no mar. Não jogaria nada para Iemanjá porque acho terrível poluir parte do oceano atlântico com um monte de tranqueiras... mas o que vale é a intenção. Ou pelo menos a vontade.


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