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Terça-feira, Janeiro 27, 2009 8:33 AM
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E fui absorvida pela ficção...
Pela primeira vez li um roteiro de filme. De um longa. Semana passada tentei fazer isso sozinha, mas pela falta de tempo e pelo cansaço extremo, não consegui.
Ontem lemos em grupo, com cada pessoa responsável pela fala de um personagem, ou vários, ou pelo personagem do outro, ou o que desse vontade de ler. Foi divertido e educativo. Principalmente por ler e ter imediatamente a descrição de algumas situações explicadas por quem escreveu e imaginou em todos aqueles detalhes.
Fiquei muito feliz e empolgada por ter a certeza de que fiz a escolha certa. A partir de agora mergulharei em um universo que sempre me atraiu. Mas não será de qualquer jeito. Será com alguém que sempre achei que tivesse idéias interessantes e agora comprovei que tem muito talento e cuidado para fazer bem feito. E quero muito participar disso.
Já pensei milhões de vezes em fazer aulas de teatro. Não pelos motivos da maioria, de profissionalização. Sempre achei que talvez assim eu conseguiria lidar melhor com minha timidez, melhoraria minha dicção, meus gestos, minha postura, minha maneira de lidar com as pessoas, dentro e fora do jornalismo. Talvez, um dia, eu faça... teatro, pintura, canoagem, culinária, corte-e-costura, pilates, canto, línguas e uma lista interminável...
Confesso que ao chegar em casa e contar para Reure empolgadíssima os planos profissionais que tenho para esse ano, em um determinado momento parei, provavelmente quando me ouvi, e achei tão surreal a descrição desses planos que por alguns minutos me senti como uma criança deslumbrada contando histórias fantásticas que nunca virariam reais. E me apavorei. E tentei me acalmar. E acreditar sim, no poder de transformar a ficção em realidade.
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Domingo, Janeiro 25, 2009 6:06 PM
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Sem vontade para escrever nos últimos dias...
Hoje São Paulo faz aniversário. Já começo a sentir, após quase um ano, que realmente moro aqui. Aos poucos o estranhamento de lugares diferentes, sotaques estranhos e novas rotinas vai passando. E tudo passa a ser normal, parte da vida aqui, por mais anormal que muitas vezes ela seja.
Gosto de muita coisa e odeio outras. Gosto da vida que levo aqui, apesar da falta de mordomias às quais eu estava acostumada em ssa, como carro, casa própria, comida prontinha, roupa lavada e quarto sempre limpo e arrumado. Mas como já disse antes, gosto de me sustentar e resolver tudo. Decidir pra onde vou, que horas vou, com quem vou e quando volto. Se compro tal marca de margarina light, ou se lavo roupa a cada 15 dias.
Odeio não ver o mar, nem poder mergulhar em água salgada quando eu quiser. Odeio a falta de pãozinho delícia e a pressão para atravessar sinaleiras. Quer dizer, sinais ou semáforos. Isso é sério aqui em SP. Se você pára no passeio (calçada) e espera a sinaleira ficar vermelha, é quase uma afronta aos outros pedestres que já invadem ansiosos a rua e se metem entre qualquer fresta possível no meio de dois carros para chegar o quanto antes ao outro lado. E errada é você, se espera a luz vermelha que indica sua hora de passar. Empurrões são frequentes. Deve ser coisa de baiano preguiçoso mesmo, esperar sua vez para não morrer atropelado. Nas poucas vezes que "segui o fluxo", ouvi buzinas histéricas, com toda a razão, no meu ouvido.
Essa será minha última semana no Hospital. Estou ansiosa e desde já começo a me despedir da minha rotina de seis meses.
Estou feliz. Farei cinema.
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Sábado, Janeiro 17, 2009 11:45 AM
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Essa semana tive uma conversa interessante com gente interessante sobre como certas situações podem mudar completamente a vida de uma pessoa. Sobre o quinto Beatle, o baterista do Rush, um fotógrafo cubano que por acaso fez um filme de Truffaut e se tornou um dos melhores do cinema, e por aí vai... histórias que têm tudo de ficção, mas são reais.
E pensei na minha vida (como sempre, execessivamente). Quem eu seria hoje se não tivesse largado o piano, se tivesse me dedicado ao tennis, ou à natação, ou se não tivesse sofrido o acidente de carro, ou dado o primeiro beijo em determinado pessoa, ou perdido a virgindade com aquela outra. Pensei nas relações de amizade, nas paixões, nos amores, na família e nas mudanças. Pensei sobre as escolhas, voluntárias e involuntárias. Pensei com mais arrependimento do que orgulho. Não sou aquela que bate no peito e diz que faria tudo igual. Eu não. Na verdade, sempre achei esse discurso bem farsante. Até poderia fazer outras merdas, mas mudaria muita coisa. Mudaria frases ditas, olhares e decisões.
Mas não estou insatisfeita com o quem sou hoje, reflexo de todas as coisas bacanas e as cagadas que fiz ao longo dos anos. É claro que preciso mudar muita coisa errada, mas só de conseguir identificar mais facilmente meus defeitos e não ser mais aquela que sempre acha que o mundo está errado e contra mim já é um grande passo.
Tenho pensando e re-pensado sobre muita coisa nos últimos dias. Novas pessoas e possibilidades criativas entraram em minha vida. E preciso encerrar rapidamente o ciclo do mês de janeiro para me dedicar completamente, a partir de fevereiro, à mais nova situação que surgiu de repente e mudará completamente a minha vida. Mais uma vez.
Se eu estiver repetitiva demais, por favor, reclamem. Tudo bem que esse é um espaço voltado para meu egocentrismo, mas, até eu, canso de mim em vários momentos.
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Domingo, Janeiro 11, 2009 12:29 PM
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Ganhei duas tatuagens de presente de Natal. No meu último dia em Salvador, tatuei "ssa ba br" no braço e uma borboleta no tornozelo.
A primeira foi em homenagem ao lugar que me fez e que apesar de todos os problemas, estando longe eu me sinto de lá mais do que nunca, o que é uma sensação bem doida. Mas não quero voltar. É só saudade e identificação.
A borboleta foi um pedido da minha mãe. Confesso que nunca tinha passado pela minha cabeça fazer esse desenho que é o mais comum entre as mulheres. Mas quando perguntei o que ela gostaria que eu fizesse em sua homenagem, ela contou a mesma história que ouço há anos, de que quando nasci parecia uma "borboletinha" com olhos grandes e cílios imensos. Coisas de mãe. Então pedi ao meu pai um desenho diferente. E ele fez. Uma borboleta mutante, com duas cabeças, que, segundo ele, simboliza a ligação entre duas pessoas. Meus pais são engraçados.
Fui ao mesmo tatuador que fez um "Paloma" no pulso de minha mãe e ele deu uma melhorada sensacional no esboço de meu pai. E assim, num dia só, passei a ter 5 tatuagens espalhadas pelo corpo. E quero mais.
A vida está louca. E mais uma vez está para mudar. Propostas interessantes surgiram e eu estou apavorada, ansiosa e animada, tudo de vez. A partir de fevereiro entrarei numa nova fase de vida profissional que invariavelmente afeta toda a vida pessoal. Mas vim aqui para isso. E fico feliz que no momento em que decisões são tomadas, as coisas aconteçam. Depois contarei detalhes.
Ele foi para Rio, logo depois que cheguei de Salvador. E assim continuamos... com saudade...
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Quinta-feira, Janeiro 01, 2009 11:33 AM
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Novo?Durante a longa espera no aeroporto retomei a leitura de "O Livro do Riso e do Esquecimento" de Milan Kundera, que meu pai comprou com um vendedor de livros usados na Augusta quando esteve em SP. Ontem à noite, adormeci assistindo "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", de Michel Gondry, um dos meus preferidos, apesar de eu nunca conseguir fazer um "Top 5" filmes e músicas com toda a certeza do mundo.. são tantos... Mas voltando ao motivo desse relato, nesses dias em casa a minha memória tem sido bombardeada por lembranças que por ora haviam caído no esquecimento e que por qualquer estímulo voltam e me deixam saudosista, às vezes feliz, às vezes triste. São lugares, cheiros, cores, comidas, conversas e sensações de toda uma vida passada nessa cidade. Já revi alguns amigos, tomei banho de mar em diferentes praias, comi lambreta, acarajé, moqueca de peixe e passo muito tempo com meus pais, o que tem sido estranhamente bom e que colabora em quase sua totalidade para que essas minhas lembranças de muitos anos sejam reativadas. No reveillon, meu pai viajou de moto e só me avisou onde estaria no fim do dia, quando chegou ao destino. E eu, como sempre, fiquei o dia todo com o coração na mão. Mas ele é assim. E eu também. Não como ele. Preocupada. E pela primeira vez na vida tive vontade de passar a tão falada e esperada "virada do ano" com minha mãe. Porque o que eu sempre gostei do reveillon foi o fato de poder viajar. Sempre achei chatíssimo o ritual de contagem regressiva e abraços em desconhecidos que nunca farão parte da sua vida só porque, naquela momento, todos esperam que suas vidas mudem e acreditam que para isso acontecer devem ser simpáticos, legais, atenciosos com todos e extremamente alegres e felizes. Bobagem. É só uma mudança de data. Hoje, números mudaram. Quem quer mudar mesmo, dorme cedo e acorda bem disposto para arregaçar as mangas e fazer por merecer. Ok, tudo bem, não é necessário ser tão radical, dá pra dormir tarde e arregaçar as mangas no dia seguinte mesmo com ressaca. Só acho que acreditar em mudanças divinas por conta de rituais feitos em um horário que é diferente em alguns estados do país é tolice. E sim, me sinto em condições de falar sobre mudanças porque passei por várias em 2008, porque quis e fui atrás. E continuarei assim em 2009. Porquei sei o que quero, e porque sei que para conseguir terei que mudar. Passei o dia 31 na praia com minha mãe e suas amiguinhas. Depois fomos para casa, assistimos a novela, ela dormiu e em seguida fui eu. Acordei por volta da meia-noite e só tenho certeza da hora pelo barulho de fogos e mensagens recebidas no celular. Em nenhum momento me senti mal, triste ou deprimida por estar em casa, o que para mim, é um grande sinal de amadurecimento (o auge será quando eu conseguir não ligar muito para meu aniversário também, mas daqui a alguns meses conversaremos sobre isso). Fiquei bem porque não queria confusão, muita gente por perto e principalmente porque quis, voluntariamente passar mais tempo com ela, já que a maior parte do meu tempo está destinado a outro lugar. Esse é o segundo reveillon que fico em casa dormindo. O primerio foi de 2000 para 2001. Eu sofri um acidente de carro no início do ano e havia programado uma viagem para Morro de SP com as amigas para "comemorar" o fim de um ano tão difícil. Mas uma das minhas cirurgias não deu certo e precisei refazê-la na semana do dia 31. Comparando, o desse ano com dia de praia, novela e filme de Gongry me fazendo dormir foi muito melhor.Espero que ele tenha se divertido no litoral paulista, e que possamos passar mais tempo juntos do que em 2008.Espero que meu pai e minha mãe sejam felizes.Espero o mesmo para os que amo e para mim.E correndo todo o risco de parece piegas, espero que as pessoas sejam menos estúpidas, intolerantes e cruéis e parem de matar, torturar e fazer mal às outras, de todas as maneiras que sempre vemos nos jornais. É muito triste ver que com o passar dos anos, apenas os recursos de guerra mudam, mas tudo continua igual. Agora faltam 364 dias para 2010. E daí?
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