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SOBRE O BLOG
Paloma saiu de Salvador para tentar ganhar o mundo na cidade cinza.
Acompanhe aqui as aventuras dessa soteropolitana em Sampa.
SOBRE MIM
Jornalista e ainda na casa dos 20. Gosto de música (do tipo boa), Chico Buarque, cinema e tv, livros, revistas e fofocas, de rosa, pavê, wrêwrê, sanduíche e uma lista sem fim!
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Domingo, Dezembro 28, 2008 6:48 PM
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Casa...O cheiro das casas das outras pessoas sempre teve um cheiro diferente, característico de cada uma. A minha não. Acho que pela mesma premissa de não sentirmos o cheiro do perfume que usamos, pelo costume, hábito, sei lá. Quando entrei na minha casa baiana, senti um cheiro diferente; aí percebi o quanto fiquei longe.A viagem foi longa e cansativa. Meu coração relembrou suas antigas taquicardias a partir do momento em que esperava a mala passar pela esteira. Uma eternidade. Não consegui avistar meus pais assim que saí pela porta do desembarque. Até o momento em que minha mãe gritou meu nome e veio com passos rápidos me abraçar. Meu pai, claro, estava mais afastado, observando e sorrindo. Logo na saída do aeroporto notei uma grande mudança estrutural na cidade. Mas o aeroporto ainda é conhecido como "Luís Eduardo Magalhães". Certas coisas na Bahia nunca mudarão pelo visto. De resto, tudo estava igual. E fui matando as saudades de passar por uma orla, ver o mar e não sentir a claustrofobia de procurar água no horiozonte e não encontrar.Minha casa continua linda, coloridíssima, mas com a fote presença do meu pai nela. Ele teve que separar pratelerias do meu antigo armário para que eu pudesse organizar algumas das minhas coisas nessa curta estadia. Ainda não sei, até esse momento o que sinto. Parece que estive aqui há uma semana. Parece que passei tempo demais fora. Parece que tudo continua exatamente igual. Parece que tudo está completamente diferente. A primeira noite dormindo na minha cama foi estranha, confesso. Estranhei um pouco o lugar para onde muitas e muitas vezes me teletransportei durante o sono paulista. A cortina amarela de flores continua aqui. Alguns quadros, livros, gravuras e paredes coloridas também. O banheiro continua cor de rosa.Fui na casa de Aninha, minha tia-avó muito avó que sempre foi uma figura muito marcante e presente na minha família paterna. Fui no bar em frente ao nosso apartamento, onde trabalhei pela primeira vez na vida, e pude reencontrar alguns amigos. Caí no mar, enfiei os pés na areia e bebi água de côco. Fiquei feliz por ter saído cedo de casa com Paulinha e por voltarmos para casa no momento em que o caos de domingo estava estabelecido em todos os caminhos que levavam à orla. Comi pãozinho delícia, bombinha de chocolate da Perini, minhas frutas preferidas, panetone de floresta negra, as gororobas que minha mãe costuma "testar" no almoço e tenho uma lista sem fim do que ainda quero provar, olhar, sentir e aproveitar nesses dias. Ainda não sei sobre o reveillon, e sabe o que é melhor: não estou nem aí. Sim, posso reclamar de um milhão de coisas e quis ir embora, mas não nego: minha cidade é linda demais.
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Quinta-feira, Dezembro 25, 2008 10:06 PM
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O Natal está acabando..
E eu, que sempre fugi de comemorações e sempre rezei para que o dia 26 chegasse logo colocando um ponto final a todo o espírito natalino, me diverti nos encontros "Gaiarsas".
Porque famílias são muito parecidas em alguns aspectos, e em vários momentos até lembrei das reuniões que frequentei durantes anos na casa da minha avó paterna. Mas lá tudo sempre foi muito "morno", contido e pouco divertido, principalmente para mim, a única criança sempre presente. E depois de grande, certas questões passaram a me incomodar tanto que já não havia mais motivo para participar.
Mas foi bom, menos contrangedor do que eu achei que seria por não fazer parte da família. Acho que o bom mesmo foi a falta do "Natal"... foram reuniões, um jantar e um almoço, com boas conversas e uma divertida troca de presentes no "amigo secreto ladrão". E fiquei feliz, por vê-lo feliz com os seus.
Amanhã volto para casa...
Vou para Salvador e acho que ainda não parei para pensar na dimensão disso. Desde que mudei de cidade, de peso, de cor do cabelo e de vida, desde fevereiro, não coloco os pés na Bahia. E chegarei, como já disse antes, em um universo paralelo de pais tatuados e morando sob o mesmo teto.
Olhando fotos e mensagens no fotolog de pessoas de lá, sinto cada vez mais que cada vez menos faço parte de algo que, na verdade, não sei se fiz algum dia. Mas isso, tenho plena consciência de que é de inteira responsabilidade minha, por ser mais fechada e pouco "amistosa" o tempo todo. Como não criava e mantinha muitos laços, agora sinto que o que sobrou foi muito pouco. E aí, sinto que não faço parte de lugar nenhum. E entro em crise. E depois me recomponho, ignorando esses milhões de pensamentos paranóicos, neuróticos e inseguros, e fico feliz por voltar para casa, mesmo que por 10 dias.
Quero muito ver os amigos que me fazem falta, ver minha casa multicolorida, dormir na minha cama e usar meu banheiro rosa. Quero passar o dia inteiro de chinelo e biquini, ficar dentro do mar até meus dedos enrrugarem, sentir o sal secando no meu corpo com o calor do sol, tomar litros de água do côco e comer a carne do côco logo depois, me entupir de pãozinho delícia e um milhão de outras coisas que só posso fazer lá.
Não tenho idéia de como será. Volto para lá com a sensação de que não fiz o realmente vim fazer em SP, mas que fiz muitas outras coisas tão importantes quanto.
Estou apavorada e ansiosa.
Ele ficará em SP, para que encerremos coerentemente nosso "ano do desencontro". Mas quando eu voltar, sei que ele estará em casa, me esperando.
E ainda me refiro à casa de lá como minha. Mas a daqui também é.
Tenho sorte...
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Segunda-feira, Dezembro 22, 2008 10:24 PM
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Hoje chorei duas vezes.
Eu só choro por três motivos: minhas tristezas, tristezas alheias (por motivos realmente tocantes) e pela beleza.
Trabalho no setor de comunicação de um hospital que cuida exclusivamente de pacientes com câncer. Para "celebrar" o Natal, o grupo de Voluntárias, senhoras muito simpáticas e agradáveis que percorrem os corredoras com seus inconfundíveis uniformes cor-de-rosa, levaram um Papai Noel para a distribuição de presentes dos pacientes. Eu, como jornalista, fiquei encarregada de cobrir o evento e escrever uma matéria para divulgação interna. Minha chefa se encarregou das fotografias. Ela desistiu ainda no primeiro andar por onde o grupo passou. Eu aguentei apenas até o andar seguinte.
Não gosto de Natal por um milhão de motivos que não quero descrever aqui. Só digo que uma festa com apelo familiar e sentimentalóide tão grande não me atrai, só repele há muitos anos. Mas reconheço a importância que a maioria das pessoas dá, inclusive as mais simples (80% dos pacientes atendidos lá no hospital vêm através do SUS), por ser a celebração do nascimento de Jesus Cristo e o momento de paz, alegria e harmonia que, para quem nasceu em um país católico como o Brasil, é difícil não absorver.
Hoje de manhã, chorei pelo choro dos que estavam ali, internados ou fazendo sessões de quimioterapia, alguns ainda com esperança, outros não. Chorei pela imensa tristeza alheia que senti, pela impossibilidade de ajudar. Admiro o que as Voluntárias fazem, pelo esforço para tentar minimizar e, pelo menos em alguns momentos, levar alguma alegria para um lugar de tanto sofrimento.
Hoje à noite, chorei pela beleza. Me emociono de uma forma absurda e irracional com a sensibilidade e a capacidade de criação de algumas pessoas. Assisti "Be Kind, Rewind" de Michel Gondry e chorei absurdamente no final desse filme que, incompreensivelmente é descrito por alguns críticos apenas como uma "comédia sobre fazer filmes toscos".
Ainda quero ser paga para fazer críticas, e escrever qualquer asneira, e continuar recebendo um bom salário por isso.
"Be kind... " vai muito além do que a simples história de fazer filmes. É uma história divertida e linda sobre a paixão, simplicidade e... sei lá.. acho que eu já estou descrevendo bobagens. Não importa tanto. Me emocionei e chorei no final, com aquela vontade de chorar porque o corpo pede para, simplesmente, reagir com todo o sentimento que lhe é permitido a algo capaz de provocar isso sem nenhum grande motivo. Chorei pela beleza.
E tirei uma foto com seu Oswaldo que vestia roupa vermelha, gorro e usava uma grande barba branca.
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Sábado, Dezembro 20, 2008 9:32 AM
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Nova...
Na primeira vez que pintei o cabelo, eu devia ter uns 16 anos. Fiz mechas louras, grossas e horrorosas. Era moda. Na época eu gostei.
Depois disso, descobri a satisfação de estar em constante mutação, já que sempre me cansava rapidamente na minha cara.
Extraordinariamente, eu estava há mais de um ano sem colocar tinta nos meus fios, que, para minha grande sorte, são muito resistentes. Até estava feliz, me sentindo bonita e segura como poucas vezes me senti na vida. Mas, o tal insatisfação já me atormentava há alguns meses, e ontem, dei um jeito nisso.
Gostei do resultado e nem precisei me acostumar. Saí totalmente do tradicional que me dominava há meses. Hoje me sinto "estilosa", como diria o namorido que acabou de ganhar uma "namorida" diferente.
Esse é o início de mais uma fase de boas mudanças... assim espero!
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2008 7:31 AM
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Mais situações surreais da minha minha vida em SP...
A primeira vez que pisei em um estádio de futebol foi há mais de 10 anos, na Fonte Nova. Fui levada por minha amiga Viviane e o pai dela, ambos torcedores do Bahia para um BA-VI. Ficamos na arquibancada especial, de frente para a torcida organizada do tricolor, a Bamor. O Bahia fez o primeiro gol, mas o jogo terminou empatado. Até hoje tenho camisa, simpatia e sei cantar o hino do Bahia.
Ontem, inesperadamente, fui no estádio do Morumbi.
Os planos para a quinta-feira eram: trabalhar, passar um tempinho na festa de fim de ano do trabalho e depois partir para o show da Tomada em um teatro perto de casa. Pois bem, entediada na festa (sobre ela eu só posso dizer que The Office é uma das séries mais geniais já feitas para a TV), me preparei para ir embora quando recebi a seguinte notícia: "Raquel ganhou dois convites para o show de Madona. Se nem a mãe nem o namorado dela dicidirem ir, vc vai?"
Alguns minutos depois estávamos as duas, arrumadinhas demais pós-trabalho, correndo enlouquecidas pela Paulista para pegar os ingressos. Depois, corremos mais um pouco para pegar a carona de Camila que mora perto do estádio. Nossa sorte foi a falta de pontualidade e o atraso de duas horas para início da primeira apresentação de "Hard Candy" em SP. Chegamos por volta das 21h30. A previsão de início era 20h.
Sempre gostei de Madona. Nunca comprei CD e sei cantar pouquíssimas músicas, apesar de adorar a maioria dos seus videoclipes. Lembro que adorava assistir aos seus shows pela TV principalmente pelas dançarinas-cantoras que a acompahavam, uma negra e outra meio oriental, lindíssimas e talentosíssimas...
O que acho fascinante é a figura de Madona. Acho que é a única artista que parece ser muito bem resolvida, inclusive com o sexo, como a maioria das mulheres do mundo não é (e me incluo nessa lista). Ela não se importa de lançar livros, músicas, rebolar, simular ações e ser taxada como "mulher-objeto". E ela faz tudo isso sem ser vulgar. Acho que será difícil alguém mais conseguir essa proeza. Claro que ela, dentro de casa, pode não ser nada disso; mas que ela disfarça bem, isso ela faz.
Ela tem muitos músculos, nem acho seu corpo tão bonito assim, mas o fôlego e a forma física são invejáveis. E ela muda tanto de cabelo como eu faria se fosse artista e tivesse muita grana.
Vimos o show da uma arquibancada de frente para o palco, porém distante. Ela estava minúscula e acompanhamos o show pelos telões que faziam composição com o palco imenso e mega-tecnológico. Foi bacana por estar ali, mas confesso que não tenho muita paciência para as músicas mais recentes, com batidas eletrônicas e interferências de rappers como todas as cantoras dos EUA fazem. Minha parte preferida foi o momento "spanish-irish" com violões e violinos iniciado com La Isla Bonita. Depois disso, resolvemos ir embora. Estava frio, preferimos evitar o caos na volta para casa, e sim, já tínhamos visto a maior parte do show de Madona.
Foi tanta aventura que nem tínhamos dinheiro para o táxi na volta. Mas Reure me esperou na portaria do prédio com a grana e um sorriso.
O legal foi assistir a um show de verdade, com trocas de roupas, cenários, dançarinos, imagens em telões e toda uma produção digna da cantora mais famosa do mundo.
Ontem, assim que cheguei, queria muito escrever e descrever os detalhes para o blog. Não consegui. Hoje despertei mais cedo, pois sonhei escrita.
Sim, fui pro show de Madona.
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Quarta-feira, Dezembro 10, 2008 11:03 PM
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Ainda adaptando a casa e a vida...
Na terça-feira o vice-presidente do Brasil esteve no meu trabalho. Ele foi receber um prêmio por ser uma pessoa pública que tem câncer e fala abertamente sobre isso. É um tipo de serviço e alerta social. Raul Cortez e Ana Maria Braga já receberam essa mesma homenagem.
Fato é que eu nunca tinha visto algo parecido como a comitiva, tanto de carros oficiais, viaturas e motos de polícia, seguranças, ambulâncias e o escambal que interditaram uma mega avenida movimentada de SP no horário de pico, e por alguns minutos levaram o caos a um hospital. Mas José de Alencar, muito simpático, escolheu entrar pela porta usada por todos, pelos simples mortais, recusando o esquema de entrada por outro local. José Serra também já esteve lá. Mas como ele chegou voando, o espetáculo de mobilização externa nunca foi tão grande.
Às vezes penso sobre coincidências. Porque certas situações acontecem exatamente em determinados momentos? Os porquês são muitos. Não sei se acredito em destino, magia, força do pensamento, sintonia, sincronia... não sei de nada. Mas sempre acho curioso quando coincidências acontecem. Será que existe alguém que estuda isso? Tem gente que estuda astrologia...
Gravei minha participação no "Mil Casmurros" (797 se não me engano) e fiquei em transe do início até o final de Capitu, microssérie da Globo dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Sim, sou fã dos inteligentes, sensíveis e capazes de produzir produtos belos.
Sou fã principalmente dos que fazem isso para a TV, que não torcem o nariz alegando que esse é um meio "menor" que só destruiria a essência da arte. Balela. A TV, bem usada, poderia revolucionar mundos, modificar universos e construir mentes brilhantes. Sim, vejo muito potencial na televisão.
Gostei dos cenários, figurinos, da trilha, dos capítulos, do narrador e do locutor. Gostei do giz e do sonho. Das transições, dos tempos e palavras. Gostei de tudo desde o primeiro capítulo.
Mas confesso que sempre gostei do livro de Machado de Assis, mesmo achando o início, da infância de Bentinho até sua saída do Seminário um grande pé no saco. Mas livro bom é assim. Você acha sensacional mesmo achando a maior parte chata, porém devorando os últimos capítulos que fazem toda aquela descrição minimalista valer a pena. Fora que, sentir que fui manipulada por palavras escritas há pelo menos um século de diferença, foi uma das sensações mais deliciosas que a literatura já provocou em mim.
Nesse momento, assim como no dia inteiro e provavelmente durante toda a próxima semana, ouço obssessivamente "Elephant Gun".
Quem me conhece sabe que sou de pouquíssimos amigos de verdade e que me sinto pouco à vontade com a maioria das pessoas e na maioria das situações. Preciso de muito tempo, ou de algo imediato, inexplicável, que me faça sentir bem com o outro e, mesmo assim, observando, aprendendo, sabendo das limitações de cada um, e, principalmente, das minhas. Hoje precisei pensar nisso para não me sentir mal por falar a verdade, a sempre tão cobrada verdade.
Entre neuroses e mais neuroses, é assim que sou.
E tenho internet de 6 mega, canais telecine, sacos plásticos que conservam frutas e verduras, um computador maior do que a TV e um namorido.
Não tenho mais espaço para o outro (pequeno) computador, prateleiras para livros, DVD's e CD's, muitos momentos sozinha e medo do escuro.
Chove e faz muito calor em São Paulo...
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Sábado, Dezembro 06, 2008 10:48 AM
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E nesse momento, começa mais uma nova fase na minha vida.
Sei que estive ausente daqui, mas as duas últimas semanas foram cheias. Eventos importantes no trabalho, com a presença de gente importante que, mesmo durando apenas 20 minutos, envolveu helicópteros, bombeiros, seguranças, jornalistas e milhões de coisas para fazer antes e depois disso. E me cansei. E tive preguiça de escrever e descrever tudo.
Gostaria de ser mais disciplinada com a escrita e a leitura.
Agora, estou esperando o momento em que o interfone vai tocar e o porteiro vai avisar: "Renato está aqui". E ele vem para ficar. Claro que o porteiro ainda não sabe disso. Eu sei. Finalmente. Depois de duvidar tanto, ele está chegando. E fico feliz e aliviada por saber que nós dois não temos a certeza do mundo inteiro de como será essa nossa nova vida, dividindo vidas em São Paulo. Só sei que quero que ele chegue logo. E me abrace, e volte a ser meu namorado. E eu deixe de ser aquela pessoa que namora mas não tem namorado.
Passei a semana tentando resolver tudo e preparar tudo para a chegada dele e dessa nova condição de dividir o apartamento que durante muitos meses foi só meu. Meu pai sempre, mas sempre, lutou contra o "possessivo" das coisas. Ele sempre esteve certo. E pretendo exercitar isso cada vez mais a partir de agora (porque confesso que nunca consegui muito).
Acordei cedo e arrumei tudo, ao som de um cd com diversas trilhas sonoras de filmes e clássicos do jazz que ele gravou e mandou por alguém há alguns meses. Quando terminei, parei e olhei de uma maneira estranha para a casa. Foi meio que uma despedida. Estranho, né? Porque agora ela tem a minha cara. E partir de alguns minutos, quero que tenha a nossa cara.
Sim, estou ansiosa e um pouco assustada. Nunca morei com um namorado (nunca tive um namorado além dele). Mas ao mesmo tempo, quando penso que quem está chegando é Wrewrê, tudo fica mais tranquilo. Porque ele é assim. Quem eu amo, quem me acalma, quem me equilibra e me fez feliz durante muito tempo.
Sim, ele está chegando.
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