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SOBRE O BLOG
Paloma saiu de Salvador para tentar ganhar o mundo na cidade cinza.
Acompanhe aqui as aventuras dessa soteropolitana em Sampa.
SOBRE MIM
Jornalista e ainda na casa dos 20. Gosto de música (do tipo boa), Chico Buarque, cinema e tv, livros, revistas e fofocas, de rosa, pavê, wrêwrê, sanduíche e uma lista sem fim!
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Sábado, Novembro 22, 2008 10:32 AM
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Onde eu me perdi?
No feriado, o auge do meu êxtase foi não fazer absolutamente nada, e apesar de ter o Telecine liberado pela NET (naquela jogada de marketing cruel de deixar a gente com água na boca e depois tomar o doce), eu quis mesmo assistir Video Show e Mulheres Apaixonadas. Porque no tempão em que fiquei desempregada em SP, no Vale A Pena Ver De Novo passava Cabocla, uma das novelas mais chatas da história.
Tenho várias restrições a Manoel Carlos, acho o excesso de diálogos cotidianos irritantes, mas ao mesmo tempo, acho que é isso que atrai. Porque eu não sei vocês, mas sempre me interessei pelo que me esclarecesse dúvidas sobre "será que todo mundo faz a mesma coisa que eu?", mesmo nas maiores bobagens, como a forma de arrumar o guarda-roupa ou escovar os dentes. Acho que sempre tive esse tipo de curiosidade por ser filha única. Nunca tive muitas referências de normalidade dentro de casa. Claro que conviver com amigas dentro de suas casas ajudava, mas... sei lá.. gosto de ver reality show por isso... e as novelas de Manoel Carlos tem um quê forçadamente realístico.
E também, quem me conhece, sabe que em matéria de TV, o grotesco me atrai. Não o grotesco de programas sensacionalistas. Normalmente o grotesco ficcional. Adoro assistir "Os Mutantes" só para me surpreender cada vez mais com o grau de absurdos incorporados em cada capítulo dessa novela que não acabará nunca, pelo visto. E me divrito sim, imaginando como o autor pode ser capaz de chupar tantas referências explícitas de filmes e seriados e ainda se achar genial, como se estivesse revolucionando a televisão brasileira.
Tiago Santiago, nunca esquecerei esse nome. Ele foi "cria" do autor global que eu menos suporto, Carlos Lombardi. Odeio os diálogos rápidos com piadinhas cretinas e um tipo de humor raso. E odeio a repetida escalação de elenco que é sempre igual, e mesmo quando é diferente, se torna igual. É uma forma de atuar mecanizada e exibicionista, vulgar. Daniele Winits e Marcos Pasquim são os atuais representantes disso. Mas se na próxima novela de Lombardi eles não forem escalados, não perceberemos a diferença.
E adoro Sílvio de Abreu. Ele é o único que consegue sair do lugar-comum de roteiros de novela, sempre longuíssimos que resolvem suas tramas apenas no último capítulo. Sempre gostei muito de assistir novela, mas de uns anos para cá, perdi a paciência. Talvez porque tenha mergulhado mais na ficção seriada, com temporadas curtas, que transformam a urgência de ações e resoluções (excluindo Lost dessa lista, claro) essenciais para a trama. E Abreu faz isso. As mocinhas dele nunca são eternamente sofredoras que dão a cara a tapa até que o mundo volte a ser lindo para ela nos 10 minutos antes do crédito final após meses de tortura - para o telespectador, no meu caso. As heroínas dele sempre revidam, a assim a trama é construída, com um toma-lá-dá-cá que prende quem separa uma hora do dia para relaxar em frente a TV. Em Vale Tudo, Força do Desejo, Celebridades e Paraíso Tropical era assim. De Dancing Days eu não lembro, mas dizem que era muito boa também.
Comecei esse post para desabar, porque ontem cheguei à conclusão que estou pouco interessante, principalmente para mim mesma. Sinto falta de ser movida por paixão, de fazer coisas que me deixem orgulhosa de mim. Me sinto estagnada e sem saída. E por alguns momentos esqueci completamente disso escrevendo sobre TV. Seria um sinal? Eu sei o que não quero... mas não sei como chegar ao que gosto.
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Quinta-feira, Novembro 20, 2008 11:22 AM
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Sim, eu vivo em um mundo muito estranho.
Como é possível que hoje seja feriado em São Paulo e não em Salvador? Como é possível que o Dia da Consciência Negra seja comemorado aqui, na cidade que tem menos negros e mais japoneses, do que na cidade que é a maior em população negra fora da África? Aqui deveria ter o feriado da Consciência Nordestina.. aí sim, faria sentido. Mas o interessante é demonstrar simpatia e apoio à causa do movimento negro, e não pelos retirantes que fazem essa cidade funcionar (alguns negros, ok).
Eu, como filha de mãe mulata e neta de avô azul de tão preto que ele era, tenho toda autoridade do mundo e nenhuma vergonha de dizer que acho a postura de maioria dos atuantes da causa irritante. A questão batida das cotas é um bom exemplo disso. Pelos menos em Salvador, a maioria da população é pobre. E negra. Seja por questões de colonização e absurdos cometidos na escravidão. Mas para mim a matemática é simples. Não são os negros que merecem "benefícios" e compensações eternas pelo que os antepassados sofreram. São as pessoas, pobres, que merecem respeito, educação de qualidade, infra-estrutura, saúde. Esse separatismo que é feito na Bahia não parte só dos brancos. Eu já sofri preconceito na minha antiga cidade, dentro do ambiente acadêmico, por ser branca. Quando eu era pequena, todos achavam que minha mãe era minha babá, e logicamente ela ficava puta da vida com isso. Então também sei o que acontece do outro lado.
Mas hoje é feriado e eu mereço descansar. Porque nesse mundo estranho, por conta de uma piada de mau-gosto, passei pela minha primeira experiência real de Gerenciamento de Crise. Tive uma matéria de assessoria de imprensa na faculdade e um dos momentos mais legais era exatamente a explicação do que fazer quando o caos surge. Pois é, ontem, durante alguns minutos, exatamente aqueles em que eu estava praticamente só, o caos chegou. E foi embora. E eu continuei nervosa durante um tempo. E continuo assustada até hoje, pensando em como é possível que coisas desse tipo aconteçam.
Hoje acordei com saudades da irritação que sentia em casa quando eu queria dormir até mais tarde e acordava com a música alta que minha mãe ouvia enquanto destruía as panelas tentando cozinhar qualquer coisa. Acabei de falar via webcam com meus pais, que após milhões de anos, estão tatuados e dividindo o mesmo teto. Minha mãe disse que o "seu" tatuador a chamou para a Convenção de Tatuagens e ela está animada para ir. Sim, o mundo vai acabar. E se sou pessimista, hoje percebi que é culpa de meu pai, que fica repetindo insistentemente que tudo explodirá e não sobrará nada nem ninguém pra contar história.
E segundo sites de fofoca, Marcelo Camelo está namorando com Malu Magalhães. Sem dúvida, essa é a parte mais "freak" da minha listagem de situações que fazem desse mundo, um lugar muito estranho.
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Segunda-feira, Novembro 17, 2008 9:42 PM
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Meus hóspedes voltaram para Salvador no momento em que o mundo resolveu acabar em SP. O fim de semana foi de sol e calor. Hoje, a cidade voltou ao normal.
Não fui boa anfitriã e não tive forças para acompanhá-los em uma noitada de despedida no domingo.. pensei na falta de dinheiro, na manhã seguinte que me arrastaria para o trabalho, no sono, na preguiça... e me senti culpada por não guiá-los pela Augusta. Mas espero que, mesmo assim, eles tenham percebido que foi bom tê-los em casa. E pude matar um pouquinho as saudades de minha querida Paulinha, minha melargue, que ri como ninguém, conversa comigo como ninguém, e é minha amiga, daquelas que ninguém poderia passar bem pela vida sem ter uma.
No trabalho, alunos de uma escola de música tocaram para funcionários a pacientes na hora do almoço. E mais uma vez me senti frustrada ao pensar que em 2009 eu completaria 20 anos de piano, e poderia viver de música, e talvez ser mais feliz profissionalmente do que sou agora. Pensei em trazer meu piano para SP, quando eu tiver uma apartamento maior, claro. Pensei em reformá-lo mais uma vez, arranjar um afinador e deixá-lo lindo, assim como meus pais fizeram há séculos quando o compraram para mim. Sim, fiquei saudosa e frustrada.
E olhando para os alunos lembrei que um dos motivos de minha aversão pelo instrumento não era o piano em si, e sim as apresentações públicas, assim como assisti a uma hoje. Minha timidez, naquela época mais intensa e completamente descontrolada (hoje posso dizer que, pelo menos, disfarço bem), me fazia sofrer terrivelmente só de pensar em entrar na reitoria da Ufba e tocar para os coleguinhas, outras crianças desconhecidas e todos os pais babões. Uma vez, meu vestido azul marinho de bolinhas brancas rasgou e foi o bastante para me desconcentrar totalmente. Não lembro o que toquei, muito menos como toquei. Só sei que tinha um pequeno rasgo no vestido, e muita vergonha.
Também me sinto sem talento, como Cristina. Sei bem o que não quero. Acho que ainda não encontrei exatamente o que quero, do que preciso. Tento não ser mais tão passiona, mas na maioria das vezes me deixo levar pelos sentimentos descontrolados, muitas vezes adormecidos que afloram em certas situações. Mas tento, na maior parte do tempo, manter os pés no chão como Vicky. Às vezes tenho milhões de dúvidas sobre o rumo da minha vida. E normalmente sou neurótica, assim como Maria Elena. Em comum com as três, bem... Javier Bardem. Mas isso é um caso a parte.
Adoro Woody Allen, desde muito tempo, e confesso que às vezes me sinto constrangida em dizer que sou fã dele e de Almodóvar e parecer que quero parecer "cult", dá pra entender? Isso é um saco. Porque realmente acho um saco gente que gosta de exaltar certas manifestações artísticas para parecer mais inteligente e legal. Aqui em SP, é o que mais se vê pela rua. Mas danem-se. Gosto mesmo. Um dia quero poder dizer que consegui assistir todos os filmes desses dois. De Almodóvar falta muito pouco.. de Allen, será mais difícil, porém muito agradável. Vicky Cristina Barcelona é delicioso. É refrescante de uma forma que me faz bem. De uma forma luminosa de ser. Como a vida deveria ser. Como as cidades deveriam ser. E morro de vontade de conhecer Barcelona e de passar as tardes no Parc Guell. Porque definitivamente as cidades fazem as pesssoas e influenciam em suas vidas das formas mais loucas e enlouquecedoras que se pode imaginar.
Estou de mal com São Paulo. Desde que voltei do Rio, e sei que isso acontecerá também quando eu for para Salvador, percebi do que sinto falta. Sinto falta do "clima" que só as cidades praianas têm. E não falo do tempo. Falo das pessoas, da beleza. Falo de ausência da eterna tensão, repressão, dureza e obrigação de ser sempre o melhor, quer dizer, ou pelo menos fingir que é bom e convencer um monte de gente que é mesmo. Porque eu já tinha sido alertada: essa é a cidade dos farsantes. E sei que existem esses tipos em SSA, no Rio, em todo lugar. Mas o tipo daqui me incomoda. Nunca amarei SP como algumas pessoas que conheço amam e se vêem morando aqui sempre. Não consigo e não quero. Mas é aqui que estou, e é aqui que tenho que ser feliz. Pelo menos por enquanto.
E hoje uma torneira nova surgiu na pia. Desisti de esperar ter um homem em casa para resolver esses problemas. Afinal, foi para ser independente que vim parar na selva de pedra, não é mesmo?
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Quinta-feira, Novembro 13, 2008 9:45 PM
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Porque ela está chegando..
E na primeira vez que vim para a cidade cinza, ela estava comigo.
Dessa vez, não ficaremos juntas num quarto de hotel... dessa vez, ela ficará no meu castelo.
Fiz mercado, arrumei a casa e olhei para cada canto, que foi pensado do meu jeito, imaginando os olhares e comentários dela, sobre o mundo que construí...
Daquela vez, não tínhamos certeza sobre o caminho das nossas vidas..
Dessa vez, ainda não temos.
Certeza mesmo é que estou radiante porque ela vem, cheia de pãezinhos, delícias, carinhos e sorrisos do jeito que só ela tem.
Chega logo Paulinha, pra eu não te largar durante todo o tempo que você deixar!
E hoje foi aniversário dele que, por mais que eu me irrite, e brigue, e xingue, e ignore, sempre será o homem da minha vida. Te amo muito pai. Também sinto saudades. Imensas.
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Sábado, Novembro 08, 2008 11:16 AM
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Eu sou assim: quando existem opções demais, não sei o que fazer e não faço. Quando saiu a programação da Mostra de Cinema fiquei enlouquecida, principalmente porque moro perto de quase todos os cinemas que abrigavam os filmes. E claro, não assisti nenhum. Quando tenho muito o que contar, não sei por onde começar e não escrevo. Foi o que aconteceu essa semana.
Na verdade não foi apenas pelo excesso de histórias, mas também pelo excesso de cansaço que me levou a uma exaustão física e mental. Foi o choque de realidade que me deixou preguiçosa, mais até do que o normal.
Mas aqui estou, para dizer que o Rio de Janeiro continua sendo uma das minha cidades preferidas. Adoro estar lá, me sinto viva, revigorada e feliz. Principalmente por sentir o cheio de sal e mar que tanto me faz falta. Cheguei em um Rio chuvoso, mas nem por isso menos lindo.
E encontrei com ele. E me senti estranha, confesso. Foi muito tempo longe de alguém que por muito tempo esteve perto demais. E não sei explicar exatamente porque me senti estranha, afinal, era ele, o Wrewrê de sempre. E aos poucos o estranhamento foi passando e voltamos a ser "nós". Com beijos, abraços, carinhos, vinhos, chocolates, cinema, amigos, chopp, doces, praia, banho de mar, almoço, suco, mais carinho, sono, bobeira e mais uma vez despedida. Mas parece que esse momento já entrou na nossa rotina e se tonou menos doloroso com o tempo. E agora, é só esperar o tempo passar e ver no que é que dá.
E a semana passou rapidamente. Ao som dos Desafinados descobri uma deliciosa companhia paulista, que apesar do senso de humor peculiar dessa região, entrou para o quadro de "amigas queirdas que arranjei em SP". E por falar em paulistas (além da minha chefa gaúcha), ontem, embaixo de muita chuva, levei colegas de trabalho para descobrirem "o que é que a baiana tem". Nos apertamos na Herculano de Freitas e visitamos Neide, minha provedora de dendê. Tinha gente que nunca tinha comido acarajé. E para minha felicidade, ouvi que valeu a pena encarar a chuva para estar ali.
E confesso que me distraio olhando e ouvindo Neide falar. Ela é muito... como dizer... baiana. Nos trejeitos, nos sorrisos, no sotaque.. e é o tipo de baiana que sempre despertou minha simpatia, e aqui em São Paulo, minha nostalgia. Isso sem falar no talento para cozinhar..
Senti uma certa tristeza, por ser ansiosa, por criar expectativas e por não saber lidar bem com isso. Mas já aprendi a não me entregar totalmente (só um pouquinho, porque às vezes eu preciso sim dos meus momentos de tristeza). Hoje vou para o Festival Planeta Terra. Não conheço bem nenhuma das bandas que vai tocar - fora Vanguart - mas vou para socializar, para estar com pessoas legais e aproveitar o melhor que SP pode me oferecer.
Recebi por e-mail fotos com as tatuagens recém-feitas pelos meus pais... surreal...
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