SOBRE O BLOG
Paloma saiu de Salvador para tentar ganhar o mundo na cidade cinza.

Acompanhe aqui as aventuras dessa soteropolitana em Sampa.


SOBRE MIM
Jornalista e ainda na casa dos 20. Gosto de música (do tipo boa), Chico Buarque, cinema e tv, livros, revistas e fofocas, de rosa, pavê, wrêwrê, sanduíche e uma lista sem fim!


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Segunda-feira, Julho 28, 2008
9:29 AM





O fim de semana do dia 26 de julho, que desde o ano passado eu sabia onde deveria estar, já passou. Passou e eu não estive no casamento de Tuti e Samantinha (queridos, já mandei todos os beijinhos e desejo de felicidades pra vocês, né?), muito menos na formatura de KK (cunhada, te apertarei em poucos dias e comemoraremos por aqui). Mas, como o meu mundo é louco - o de outras pessoas deve ser também, mas como o mundo descrito aqui é meu, a vida é minha, ele é o centro do universo desse blog - no sábado fui para a comemoração de um casamento de amigos baianos/paulistas. Liz e Hora deram a oficilizada no civil com direito a moquecas, nos salvando da abstinência de dendê. Foi uma ótima tarde. Mas a noite foi difícil.

Entrei em crise por tudo o que tem acontecido e fiquei baixo-astral mesmo, de uma hora para outra. Para minha sorte, estava na companhia das minhas queridas salvadoras em SP, e prontamente elas afastaram meus pensamentos ruins, não apenas naquele momento, mas até agora, me sinto melhor.

Mais um mês se aproxima, o do meu aniversário que sempre foi meu mês preferido - dividindo com janeiro, claro - mas que continua trazendo a mega interrogação sobre meu futuro aqui. Mas evitarei pensar nisso e seguir o conselho que recebi ontem, junto com uma visita fofíssima e mais cabides para me salvar do caos: "pensamento positivo sempre Papá, porque é assim que a gente atrai coisas boas"..

E semana passada Salvador teve sua temperatura mais baixa em 70 anos... 17 graus... aqui, no sábado, chegamos a 13... saudades do clima de casa.

Sim, eu gosto do calor baiano.


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Domingo, Julho 27, 2008
5:13 PM





Assim que esse fim de semana, tão esperado e depois tão temido, terminar, só depois, escrevei sobre ele....


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Sexta-feira, Julho 25, 2008
10:13 AM





Nome Próprio

Após várias tentativas frustradas de assistir Batman essa semana, fui para a sala de arte. Porque pra mim, filme "cinemão" é pra ver acompanhada... sozinha eu prefiro ver os "cabeções". Apesar de não fazer muito sentido, porque normalmente são os cabeções que estimulam conversas e discussões pós-sessão, mas é como se os filmes pipocões pedissem uma galera que ocupe mais de uma cadeira para que seja bem visto. Eu gosto é de assistir filmes, e cada dia mais tenho a certeza de que devo acabar com essa frescura e ir sozinha sempre que quiser ver alguma coisa.

Mas ontem consegui companhia e fui com Maria ver o filme que eu já tinha ouvido falar há um tempinho quando meu digníssimo namorado participou de uma promoção pela internet e fez um trailer com trechos disponibilizados para isso. E ficou bom mesmo, ele leva jeito para trailers. Enfim...

O filme é bonzinho.. nada de mais... Leandra Leal fica pelada o tempo todo e a personagem dela é irritante. O tipo de pessoa que se diz "intensa", "apaixonada", mas que não passa de uma egocêntrica, egoísta ao extremo. Sempre tive problemas em conviver com gente que é assim, ou pior, que se esforça para ser. Algumas cenas são muito longas, algumas atuações são ruins, mas é um filme interessante para ser visto. O mais interessante é a identificação. É uma menina de outra cidade que veio para SP e que por várias circunstâncias vai morar sozinha e ainda por cima tem um blog.

Me identifiquei apenas na questão de entender que, assim como ela, escrever me salva. Me salva das angústias, do desespero, da loucura... mas salva de não explodir com tantos sentimentos loucos que tenho sentido nos últimos meses. Mas sempre foi assim. A cada grande decepção amorosa eu escrevia "cartas que eu nunca mandaria", dizendo tudo o que não foi dito, até porque sempre fui melhor escrevendo do que falando sobre meus sentimentos. Mas sempre mandei; acho que nunca concebi a idéia de que meus belos desabafos e até ofensas literárias ficassem guardados em pastas do meu computador, e pior, que o objeto que estimulou aquela verborragia raivosa e dolorida, nunca soubesse da existência daquilo. Sempre mandei, e em poucas vezes tive respostas. Perdi a maioria por problemas em computadores ao longo dos anos que sumiram com vários dos meus arquivos. E o mais irônico é que atualmente tenho uma trilogia dessas cartas que foram as únicas não enviadas. Para alguém que na época achei que não merecia nem isso. Mas hoje, depois de tudo bem superado, se tornou um bom amigo, que sempre está presente para ouvir meus desabafos sobre São Paulo. E agora já não sei mais se mandaria as cartas para que ele percebesse o mal que me fez há anos atrás. Já falei da existência delas e ele disse que ainda não era o momento para lê-las.

E eu sempre me questiono sobre a minha exposição nesse espaço. Mas, sinceramente, nunca me incomodei com nada. É claro que certas coisas mais íntimas eu desabafo longe das teclas, apenas com poucas pessoas em quem confio. Mas gosto de externalizar meus pensamentos e saber que alguém lê. Porque se eu quisesse que fosse só para mim, escreveria em um diário ou mesmo em um documento Word e guardaria em uma pasta, como as tais cartas. Mas gosto de deixar as pessoas que se interessam por mim a par do que tem acontecido e acho muito interessante estimular a leitura de quem nunca me viu mas gosta de acompanhar minha "aventuras" por aqui. Confesso que não sou nem nunca fui leitora de blogs. A única coisa que faço é diariamente entrar nos meus favoritos e ver o que meus amigos e leitores andam escrevendo, e só. Não busco novos horizontes virtuais. Na real, sou bem limitada nesse sentido internético. Às vezes passo um tempão sentada aqui, olhando para a tela sem saber para onde ir.

Paulinha me falou sobre a menina que inspirou o filme e me disse qual o endereço do blog dela. Fui até lá e não tive a menor paciência para ler mais que dois posts. O que é doido, poque gosto de ver na TV todo o tipo de Reality Show, principalmente os que tentam se aproximar ao máximo da vida cotidiana do outro. Acho que nesse sentido de voyerismo, sou totalmente visual.

E assim continuo escrevendo... desabafando... escrevendo... vivendo...


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Quarta-feira, Julho 23, 2008
8:56 AM





Estou com raiva do blogger!

Do nada, um dia, ficou indisponível o serviço de comentários, e como se isso já não fosse o bastante, sumiram com os comentários que já existiam. Reure mexeu, mexeu, mexeu e não descobriu como resolver. Aí apareceu meu querido Caldeira, que também tem blog e entende dessas coisas e mexeu, mexeu, mexeu, tb não descobriu o que aconteceu mas deu um jeito temporário: agora é possível deixar comentários, mas os antigos não voltaram. Eu até posso vê-los em algum lugar aqui do "blogger.com".. mas é legal quando eles fazem parte de um contexto... droga de internet e coisas de internet. Droga!

Eu tenho tentando desenvolver um projeto, que ainda é só um projeto mas que pelo menos ocupa minha cabeça... vamos ver no que é que dá.

E eu queria muito pisar os pés na areia, sentir muito calor, pingar de suor, poder me jogar no mar e ficar horas lá dentro relaxando, ficar com o cabelo duro de tanto sal e usar biquini o dia inteiro... acho que sinto mais falta disso do que de pãozinho delícia.

Hoje é o dia nº 30 sem chuva em São Paulo.. vim pro sertão sem saber...


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Terça-feira, Julho 22, 2008
10:43 AM





Não é apenas o meu mundo que está mudando.

Ontem, finalmente, consegui falar com minha mãe pelo msn. Depois que vim para SP, ela resolveu comprar um computador e fazer aulas de informática. Talvez estimulada pelo fato que uma vizinha arranjou um marido em salas de bate-papo (mas eu sempre avisei que isso nunca é muito confiável hehehe) ou por saber que eu converso quase todos os dias com meu pai pelo Skype sem gastar telefone, ela decidiu entrar no mundo virtual. E conseguiu. E ontem eu a vi, e ao meu pai também, no meu antigo quanto, com o cenário de parede cor de mostarda contrastando na cadeira vermelha.. deu saudade. E meu pai se mudará para Arembepe essa semana... segundo Reure, aos poucos ele vai conseguindo se isolar do mundo... pelo menos, que seja perto do mar.

O fim de semana foi movimentado e musical. Shows do Cascadura provocaram uma sensação engraçada de familiaridade em um ambiente estranho. Foi como matar as saudades do universo que frequentávamos em Salvador. Escrevi no plural porque Juana também se sentiu assim, e berrou e pulou comigo durante as músicas. Outra coisa engraçada de SP, é que desde que cheguei aqui, essa foi a segunda vez que fui para um show na van de músicos, fiquei no camarim ou em alguma parte perto do palco acompanhando a histeria do público. Uma banda de axé e outra de rock. E essa coisa da histeria é muito louca, porque é estranhíssimo ver tanta comoção simplesmente pela aparição daquelas pessoas que são aquelas pessoas.. dá pra entender? Pessoas que batem papo, falam besteira e são "gente como a gente". Só fico histérica com Chico Buarque, e mesmo assim, de forma involuntária como aconteceu no único show dele em que fui na vida, chorando descontroladamente durante minhas músicas preferidas. As pessoas próximas de Chico devem achar isso esquisito também. O mais louco deve ser para quem é o objeto da histeria...

E eu continuo procurando o que me distraia nessa cidade durante minha longa espera por algo que colocará minha vida nos eixos.. até tenho encontrado.

E São Paulo, para mim, continua do mesmo jeito.


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Segunda-feira, Julho 21, 2008
8:09 PM





Hoje foi um dia de sono... amanhã acordarei.. e escreverei...


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Sexta-feira, Julho 18, 2008
10:42 PM





Existem duas coisas que me incomodam muito, e há muito tempo.

A primeira é a obrigatoriedade de estar sempre bem disposta para sair, e a segunda, é o julgamento por não ser assim.

Sempre sofri muito com isso, principalmente a partir da adolescência. Eu fazia parte do clichê, por não fazer parte do clichê. Me encaixava na estatística de adolescentes que acham que tem algo errado consigo; e o que eu sempre achei que houvesse de muito errado era exatamente o fato de ser diferente da maioria, e sempre fui mesmo.

Cresci um pouco mais, me conheci um pouco mais, e finalmente percebi que eu sou assim porque sou assim e pronto; faz parte da minha personalidade, faz parte de mim. Sou uma pessoa do dia. Adoro, ou melhor, adorava acordar cedinho para ir na praia e voltar de lá no horário em que todos estavam indo, presos no engarrafamento, se preparando para lutar por um lugar ao sol, e na areia.

Nunca fui da noite, nunca gostei muito de sair à noite, sempre tive sono, preguiça e simplesmente não gosto, não me sinto segura, não me sinto bem. Mas me esforço, claro, e isso não quer dizer que seja um sofrimento botar a cabeça para fora de casa quando o céu está escuro; mas se eu puder escolher, e se eu tiver qualquer motivo que me faça ficar, eu fico.

E odeio, ODEIO, que sempre, mas sempre, e pode ser com a melhor das intenções, mas sempre tem alguém para insistir, e encher o saco, e pior, nem tentar entender que eu, simplesmente não tenha tanta vontade assim de, a qualquer hora, em qualquer momento, ir para qualquer lugar, ficar num boteco e beber. Talvez porque eu não beba muito. Talvez porque eu seja anti-social mesmo. Talvez pelo simples fato de que sou uma pessoa caseira, que se sente bem estando entre quatro paredes (que é praticamente a condição da minha atual casa). Pois ser assim tem me deixado bem em SP. Porque se eu não fosse, já teria enlouquecido há muito tempo.

Mas porque será tão difícil entender que existe gente como eu? E que não é porque gente como eu é mal-humorada, rancorosa, recalcada, solitária ou sei lá mais o que. Gente como eu pode ser simplesmente preguiçosa. E gente como eu, entende que existe gente bem disposta no mundo, e até admira em alguns momentos esse pessoal. Quando adolescente, eu queria ser assim. Hoje não quero mais; não preciso desse tipo de auto-afirmação, de achar que só vão gostar de mim se eu sair "pra beber" o tempo todo. E se essa for a condição, então ao longo da minha vida me livrei de pessoas que eu não gostaria de ter por perto. Porque é assim que eu sou. E mesmo que às vezes eu me sinta só, continuo afirmando que, o pior, é a obrigatoriedade seguida pelo julgamento.

E também odeio o fato de meu blog ter sumido com os comentários. Será que me acharão castradora das idéias alheias?

Não, ninguém perderia o tempo pensando assim... em mim... de mim...


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Quero meus comentários de volta! :(


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Quinta-feira, Julho 17, 2008
9:17 AM





Minha quarta-feira começou de verdade com um telefonema de Maria: "Papá, quer vir almoçar aqui em casa? Tem comida de verdade, massa e carninha, vem?"... é claro que não sou doida de recusar a companhia e a comida dela.

Passei no mercado, comprei uns sonhos para a sobremesa e fui. Érica, a representante paulista no nosso clubinho da luluzinha (ainda desfalcado, diga-se de passagem), também foi.

E ficamos lá, as três, com almoço, uma garrafa de vinho que acabou rapidamente, sonhos e sonhos, muuuitas conversas, trocas de confidências, informações, questões, conselhos e sugestões, pilequinho, música, sono, brigadeiro, Cachorro, "Ligeiramente Grávidos", e um almoço que só terminou às 21h.

Em um determinado momento olhei para Maria e falei: "você não acha doido que estamos aqui, na sua casa, sem nenhum adulto, comendo, bebendo, cantando, na "SUA" casa? Que depois eu vou sair daqui e vou para a "MINHA" casa? Doido, né?"...

Essa foi uma boa quarta-feira.


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Quarta-feira, Julho 16, 2008
10:35 AM





Acabei de ler o blog de Di e comecei a pensar sobre independência. Acho que a primeira vez que me senti assim, livre, foi quando tirei a carteira de motorista de dirigi sozinha pela primeira vez. Fui da minha casa, na Pituba, até a casa de Apoenna nos Barris e depois fomos no shopping Barra. Apesar de todo o medo do carro morrer na sinaleira ou de acontecer alguma merda, foi delicioso pegar minha amiga em casa, dar umas voltas no shopping, deixá-la e voltar pra casa... sozinha... na hora que eu quisesse.. controlando o volante... pouco tempo depois sofri um acidente e as coisas se complicaram, e minha relação com o ato de dirigir ficou complicada, mas nunca parei totalmente.

Aqui em SP só piloto fogão (piadinha infame, né?). Mas essa sensação de independência está quase plena, a não ser pela questão financeira. Volto pra casa quando eu quero, se quero, se não, durmo em outras casas e não preciso avisar para ninguém. Escolho onde colocar as coisas, o que comprar, o que não comprar, quando limpar ou não limpar. Isso é bom, isso tem me feito bem. Sempre fui muito dependente em casa. Aprender tudo na tóra - como costumamos dizer na minha terra - tem sido uma experiência muito boa.

E ontem peguei um metrô para o quinto dos infernos. Mentira, foi para um lugar longe, depois de Carandiru (inclusive não vou mentir que pensei várias coisas sobre violência, rebeliões e essas viagens que a gente tem só por ouvir certos nomes), e cheguei muito bem. Me localizei direitinho, não me atrasei, e senti que posso ir para qualquer lugar. De preferência, que tenha metrô. Em Salvador eu nunca usava transporte público. Mas no meu universo paralelo daqui, até isso complementa essa minha sensação de enfim estar virando uma pessoa adulta. Doido, né?

Ontem comprei um esmalte vermelho e tentarei pintar as unhas dos pés. Quero independência dos salões caros e das carniceiras que adoram um bife de carne branca.


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Terça-feira, Julho 15, 2008
9:56 AM





Confesso que apesar do sucesso de comentários do último post - obrigada pelas palavras de incentivo meus queridos, é engraçado como nos momentos mais deprês vocês se manifestam - resolvi que o próximo tinha que ser mais leve, sobre algum assunto legal e divertido.

Os dias foram passando e não consegui pensar em nada...

Acabei de olhar meu saldo bancário e não consigo pensar em mais nada...

É, acho que posso ser divertida depois...



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Quinta-feira, Julho 10, 2008
9:58 AM





Eu quero voltar para casa!

Decidi não voltar para casa no fim do mês...

Desde que vim para São Paulo, até antes disso, estabeleci uma data limite para voltar a Salvador (seja para passear ou voltar de vez): o último fim de semana de julho, porque nesses dois dias acontecerão eventos importantes de pessoas queridas, com várias pessoas queridas reunidas. Até pouco tempo isso estava certo, mas pensei muito e decidi não ir. Depois de conversar bastantes com amigos daqui e de lá, cheguei à conclusão de que voltar, nesse momento em que estou, me destruiria emocionalmente, e tenho feito a maior força do universo para continuar forte, centrada e sã.

Voltar sem que nada do que vim buscar tenha acontecido só me deixaria mais frustrada com um sentimento absurdo de derrota, apesar de saber que TODO mundo diz que não é bem assim, infelizmente, me conheço e é assim que me sinto agora, e isso só seria potencializado encontrando todos que me fariam perguntas sobre como anda a vida, porque não há nada mais normal que isso, e eu teria que dizer. Não quero responder essas perguntas agora. Não quero ver minha antiga casa, nem meus pais, nem os amigos que me fazem tanta falta agora. Porque em Salvador, em alguns momentos eu ficava de saco cheio e nem tinha mais paciência para sair "de galera", mas lá, eu tinha essa opção, porque as pessoas sempre estariam lá, e gostavam de mim, me conhecendo e sabendo que sou assim mesmo. Sinto falta disso.

Me sinto deslocada na maioria das vezes. Não sei o que dizer, onde ficar nem pra onde olhar em vários momentos, e isso nunca aconteceu tanto em Salvador. Aqui é muita gente nova, e eu sou a mesma. Na verdade, nessa viagem que também serviria para auto-conhecimento, descobri que não me conheço muito bem. Descobri que não consigo controlar minha emoções e sensações e que me surpreendo muitas vezes comigo. E me surpreendo por não estar tão surtada, deprê sem conseguir sair da cama (apesar de muitas vezes a vontade seja de fazer isso), de conseguir bloquear os pensamentos sobre a falta de grana e deixar para me desesperar só quando olhar meu saldo bancário no fim do mês, mas também me surpreendo e me odeio por me sentir quase adolescente em alguns momentos, beirando a carência afetiva e a insegurança que naquela época sempre foi maior do que tudo pra mim. Não confio mais em mim, no meu currículo e no meu trabalho. Não acredito mais que sou boa, e não consigo mais esperar por nada. O meu "quadro geral" está vazio. E eu não sei o que fazer.

Mas não quero voltar para casa.. ainda não.


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Terça-feira, Julho 08, 2008
10:28 AM





Já disse há poucos posts atrás que estou musical. São Paulo me deixa assim. Acredito que seja o fator solidão que atrai todos os estímulos visuais e sonoros para que ocupem espaço no dia-a-dia. É como chegar em casa e ligar a TV, mesmo que eu não queira assistir nada. Acho que a maioria das pessoas que mora só faz isso.

Eu nunca gostei de ouvir música na rua, com fones de ouvido. Sempre fui distraída demais para ter algo que me distraísse mais ainda em lugares onde milhões de coisas poderiam acontecer, boas e ruins, mas eu sempre pensava nas ruins, claro. Logo que cheguei aqui, precisei andar muito de ônibus, pegando milhões de engarrafamentos, normalmente com Reure. Só que nem sempre temos tanto assunto. E essa questão do silêncio é algo interessante que falarei mais pra baixo.

Enfim, nesse meio tempo, Magrão apresentou o Nerdcast pra Reure, que obviamente se identificou horrores, e passou a ouvir todos os programas durante essas viagens de ônibus. E eu sentia que ele ficava ansioso por esses momentos e até meio agoniado quando eu tentava conversar e atrapalhava a nerdice auditiva. Pois bem, resolvi levar meu mp3 para todos os cantos. Essa também foi uma época em que eu havia ido para os shows de Móveis Coloniais de Acajú e Vanguart, e gostei muito, muito mesmo, principalmente do CD dos caras de Cuiabá. A partir disso, Vanguart virou a minha trilha sonora oficial de andadas pela cidade. Porque tenho usado menos os ônibus, mas mesmo caminhando, estou sempre ouvindo som... e tentando ficar atenta, claro.

Toda essa contextualização foi para dizer que ontem, estou eu sentada no fundão de um ônibus ouvindo musiquinhas, quando Hélio Flanders, vocalista da Vanguart, entra e senta quase do meu lado - havia um cara entre nós. Nesse momento lembrei que eu comecei a ouvir uma música dele no início do dia, mas, naquele momento, era David Grohl quem cantava pra mim. E pensei se deveria falar com ele, dizer que realmente gosto da banda e como tem sido bacana ouvi-los em SP. Mas não sou tiete, tenho vergonha e não consegui. Acho que se eu estivesse lado a lado com ele teria tomado coragem e mostrado que "Cachaça" estava ali no meio da minha seleção musicial, mas fazer isso com uma figura estranha entre nós dois seria meio patético. Mas confesso que esperei que a próxima música fosse alguma dele; se fosse, eu falaria, seria um sinal. Mas Elba Ramalho invadiu meus ouvidos com Paralelas e eu ri sozinha da minha situação ridícula de querer falar com a pessoa e ter vergonha. Desde sempre travo terríveis batalhas contra minha timidez, e tenho conseguido bons resultados... mas algumas vezes ela me nocauteia e eu nem consigo me levantar.

E sobre o silêncio, nada me incomoda mais do que ficar em silêncio perto de alguém que não conheço muito. Acho que faz parte da minha insegurança. Mas aí, começo a falar milhões de bobagens só para puxar assunto e a pessoa, que não me conhece muito, me acha uma idiota por falar tantas besteiras. Mas também adoro quando acontece o silêncio que não incomoda, porque isso, pra mim, é o auge da intimidade que posso ter com alguém.

Vou ouvir "Silêncio" da Soma, em homenagem ao momento.

A partir de agora terei namorado apenas por e-mail. Sabe-se lá até quando.


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Domingo, Julho 06, 2008
10:33 AM





Ok, acabei mesmo a monografia.

Enfim... claro que ainda falta ser avaliada e talvez eu tenha que fazer alterações, mas isso é outra história. Só fico triste por não poder "pegar" no trabalho impresso, avaliar como saiu a qualidade das imagens e sentir o cheirinho do papel cheio de letras que formam palavras e frases que saíram da minha cabeça (e poucas de uns estudiosos de comunicação).

Meu trabalho foi uma análise de aberturas de seriados; sou viciada mesmo, e resolvi unir o útil ao agradável. Estabeleci quatro tipos diferentes e escolhi uma abertura que representasse bem um desses tipos, no caso, Nip/Tuck, a "Conceitual".

Eu gostei muito de pensar nisso, desenvolver a idéia, fazer citações nerds de séries, pesquisar na internet.. essa parte foi boa... o problema todo foi não ter um prazo bem definido pela universidade. Eu devia ter entregue esse trabalho antes de vir para SP, em fevereiro... estamos um julho. Sou certinha nesse sentido, sempre entreguei todos os trabalhos na data certa, e não gosto de sentir que estou devendo nada. E aos poucos, a monografia se tornou um peso que me prendia às coisas antigas da minha antiga vida. Mas ao mesmo tempo, era uma boa ocupação nessa minha busca por trabalho que não ocupa meus dias e semanas. Era sempre reconfortante, apesar de também angustiante, saber que eu ainda tinha algo para fazer.

Mas o tempo foi passando e meu orientador e eu não chagávamos a um acordo (à distância também é sempre pior). Em um determinado momento desisti dele; agora, no final, para minha felicidade, ele desistiu de mim, e pude concluir o trabalho do jeito que estava quando acreditei que havia concluído a parte de análise. Nesse caso eu sou muito objetiva e me sentiria muito farsante se tivesse que enrolar por mais cinco laudas para dizer o mesmo que eu já havia dito só que com palavras diferentes; e é isso que esperam de você na academia (acho que já escrevi aqui sobre essa minha relação nada amistosa com o ambiente acadêmico).

Eu fiquei feliz com o que escrevi. É claro que se fosse um trabalho de mestrado eu teria me dedicado mais à essa pesquisa e blábláblá.. mas não é o caso... e esse não é o meu momento para isso... na verdade, acho que nunca terei momento para isso.

Tenho pensado e milhões de coisas e desabafado em caminhadas pela augusta, cineminha, pizza e até cervejinha (argh!) com queridas amigas, que cada vez mais se tornam mais queridas e mais amigas. E outras pessoas queridas chegarão em breve.

Menos uma coisa para me preocupar; menos uma coisa para pensar... mais espaço na cabeça para as outras questões.


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Sábado, Julho 05, 2008
1:44 PM





Hoje me sinto cansada, mentalmente cansada. Acho que acabei de monografia.. mas depois escreverei mais sobre isso.. agora não quero escrever... agora não sei o que fazer...

Hoje eu sou um imenso "NÂO SEI".


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Quarta-feira, Julho 02, 2008
9:49 AM





E hoje é feriado em Salvador e eu nem sequer lembrei para citar isso no post anterior... cada vez mais sou "tragada" por SP...


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A surrealidade faz parte da minha vida.

Acho que na maioria dos posts desse blog, em algum momento, escrevi que "algo foi surreal", "a situação é surreal" e bláblablá... e parei para pensar sobre isso. Em Salvador, o fato de ter arrumado um namorado depois de anos, anos, anos e mais anos de solterice ou ter criado e até colocado na TV um programa (só para citar poucos exemplos de uma vida "intensa" hehehe) também estariam na lista de acontecimentos surreais. Mas lá eu não pensva nisso, porque lá, parecia que tudo era apenas uma consequência de ações da minha realidade.

Aqui eu vivo em outra realidade, por isso tanto surrealismo. E me refiro às coisas boas e às ruins; tudo tem sido novo, diferente e fora dos meus padrões de normalidade (apesar de que a cada dia eu tento criar uma certa rotina - gosto de rotina). Outro dia cheguei em casa e tinha uma mini-barata na parede. Matei com uma chinelada sem nem pensar. Para quem me conhece bem, ou até já acompanhou por aqui a minha relação com insetos e coisas nojentas, sabe que esse processo de extermínio seria lento, demorado e doloroso - para mim, não para a barata. Mas é isso, nesse meu universo paralelo as coisas são loucas. A realidade é louca. O dia-a-dia, mesmo em casa, olhando para as paredes ou pensando que devo tirar o pó da "minha casa", é doido. Cada saída é louca. Cada novo encontro é louco.

E a cada dia tenho mais vontade de ficar e explorar o "surreal".


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