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SOBRE O BLOG
Paloma saiu de Salvador para tentar ganhar o mundo na cidade cinza.
Acompanhe aqui as aventuras dessa soteropolitana em Sampa.
SOBRE MIM
Jornalista e ainda na casa dos 20. Gosto de música (do tipo boa), Chico Buarque, cinema e tv, livros, revistas e fofocas, de rosa, pavê, wrêwrê, sanduíche e uma lista sem fim!
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Domingo, Abril 27, 2008 8:55 AM
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Fiz supermercado sozinha pela primeira vez na vida... muitos devem estar pensando "meu Deus, em que mundo essa menina vivia?", mas não me envergonho de admitir essas coisas... na verdade, nesse tempo em que meu pai passou aqui em casa apenas relembrei como fui criada... ele não deixava que eu lavasse um talher, muito menos manuseasse facas cortantes... e sempre foi assim, com meu pai, minha mãe e minha avó que morava conosco.
E por isso também nunca me interessei. Mas não sou uma patricinha chatinha e cheia de dedos como muitos devem pensar também; nunca fiz certas coisas mas também não tenho problema nenhum em começar a fazer, e esse foi um aspecto importante que me estimulou a sair de casa.. ser independente em vários sentidos... e fiz supermercado sozinha sim, escolhi tudo, coloquei tudo no meu super carrinho comprado na 25 de março e como uma criança que puxa os livros nas mochilas de rodinha depois da aula, voltei para casa trazendo a minhas compras. E arrumei tudo do meu jeito, mas, muitas vezes, de um jeito igual ao da minha mãe de arrumar certas coisas, e do meu pai de arrumar outras.
Também me descontrolei outro dia quando cheguei em casa e estava sem internet e telefone, e ao ligar para a NET, me informaram que só mandariam um técnico quase uma semana depois. Isso depois de ficar falando "alô, alô?" sem acreditar que a atendente me deixou esperando na linha enquanto falava com sua operadora de celular para tirar dúvidas bem no meio do expediente ou quando ouvi de outro atendente, após manifestar minha revolta com a demora para enviarem alguém que "absurdo, senhora, seria não estarmos mandando ninguém para consertar seu aparelho"... e sabe o que é mais surreal? Liguei duas horas depois para insistir que resolvessem logo e nem precisei: dessa vez dei sorte de cair na linha com uma atendente simpática e com boa vontade que agendou a visitá técnica para a dia seguinte. Enfim...
Também saí de ônibus sozinha pela primeira vez, olhando o itinerário no site da SPTrans e no Google Maps, encontrei pela primeira vez os paulistas bacanas que trabalharam comigo no carnaval e fiz minha segunda entrevista de emprego aqui na cidade. Foi para uma assessoria legal, indicada por uma baiana legal que trabalha lá... mas não rolou... não tenho inglês fluente, extremamente necessário para essa função específica... nesse caso, o meu "intermediário" não serviria de muita coisa... nessas horas dá um desânimo, por só ter conseguido duas entrevistas até hoje e em assessorias, área onde realmente não tenho muita experiência, o que dificulta tudo. E preciso confessar uma coisa: fico com raiva de quem me diz o tempo todo "mas você deve procurar também emprego em coisas que você não goste tanto blábláblá".. é claro que eu sei disso, por isso envio meu currículo para assessorias, oras!
Não tentarei nada além de jornalismo; foi pra isso que vim pra cá, e não vou desviar assim desse caminho que tenho insistido por tanto tempo. Acho, na verdade, que as pessoas têm uma idéia muito equivocada de que, como eu apresentei o Encarte, vim pra SP pra virar apresentadora e se não trabalhar como VJ da MTV cortarei meus pulsos. Quem pensa isso realmente não me conhece, não tem idéia do que eu gosto dentro do jornalismo, o que uma pessoa formada em jornalismo pode fazer e, sinceramente, já escrevi demais para ficar aqui me justificando sobre isso. Até agora devo satisfações disso apenas para o meu pai, que é quem ajuda a pagar as contas, e nós estamos em pleno acordo do que eu devo fazer aqui, já que eu vim, mesmo contra a vontade dele.
Me senti muito sozinha em alguns momentos da semana, mas tive bons encontros. Me decepcionei um pouco, mas certas coisas acontecem pro bem, para que saibamos como lidar com as pessoas. Mas ao mesmo tempo tenho me aproximado, aos pouquinhos, de outras pessoas que fazem com que eu me sinta bem em momentos tristes.. e ainda tento aprender a lidar con nenéns fofos por tabela. ;)
E outra coisa que aprendi: tenho que seguir os ensinamentos do meu pai que me dizia desde pequena para não pré-julgar as pessoas (apesar dele fazer isso, como dono da verdade todo-poderoso que ele é). Às vezes faço isso e ontem à noite quebrei muito a cara, conhecendo alguém que foi extremamente legal, gentil e agradável, e que realmente eu não esperava.. coisas da vida.
E sinto falta de Reure, muita... mas... acho que realmente tenho descoberto o que é amar de verdade de maneira altruísta como sempre ouvi falar... se para ser feliz ele precisa ficar longe de mim... só quero isso, que ele seja feliz.
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Quarta-feira, Abril 23, 2008 10:47 AM
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É incrível perceber a mudança na minha nova casa desde o dia em que meu pai chegou aqui até ontem, quando ele foi embora. Agora sim, parece uma casa.
Ontem foi uma noite confusa...
Senti uma tristeza imensa quando meu pai foi embora, mas Magrão estava aqui, o que me deixou feliz, porém me reprimiu de externalizar a tristeza do momento, como eu faria se estivesse só.
Quando Magrão foi embora e eu fiquei realmente só, tentei não pensar muito, me preparar para dormir e assistir a novela, que sempre me captura para o mundo da fantasia (acho que por isso adoro tanto a ficção).
Pois bem, nesse momento, em que mal conseguia ver TV porque a NET escolheu logo essa noite para dar problema e me deixar sem internet para falar com Reure, sem telefone fixo para falar com qualquer pessoa, e sem celular, já que meu pai esqueceu de ligar a cobrar para Salvador e acabou com meus últimos centavos da operadora, logo nessa noite, uma mariposa resolve entrar pela janela me informando que é possível sim que bichos venham até o décimo primeiro andar.
Não gosto de insetos; odeio, para falar a verdade. Tenho um medo irracional que, por mais que eu saiba que não vou morrer nem ter um pedaço arrancado, me paralisa.
Mas eu quis morar sozinha, não é mesmo?
Com vassoura em punho e inseticida como escudo, iniciei a batalha.
Foi difícil, mas após muito tempo, venci. E me enraiveci porque esse bicho esperou até meu pai e Magrão saírem para entrar, porque esse pode não ser o último, porque matei um bicho voador que não é barata nem morcego e porque estou sozinha, mais uma vez.
E a terra tremeu na cidade, e eu não senti absolutamente nada... pelo menos... só faltava um terremoto para completar minha noite.
Será que por isso a NET deu defeito e o monstro alado entrou pela janela?
Acho que não...
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Sábado, Abril 19, 2008 8:15 AM
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Outros detalhes...
Meu pai veio me socorrer na cidade cinza. Há uns 25 anos ele não aparecia por aqui. Mas, pelo menos, ele chegou num dia de sol.
Já tinha me esquecido como era passar muito tempo com ele.
Como ele acorda às 6 da manhã, ou até antes disso.
Como ele faz de tudo para que eu coma comidas naturais e coisas verdes.
Como ele é sempre paciente, extremamente paciente e diz que sou ansiosa demais.
Como ele é tão esquecido e distraído que jogou uma das minhas poucas e novas facas na lata do lixo junto com os restos de um abacaxi.
Como ele gosta de andar, e por isso tive que acompanhar seus passos por toda a cidade.
Como é bom receber elogios do tipo "você se saiu bem", após eu ter sobrevivido sem reclamar aos milhões de quilômetros percorridos no centro da cidade.
Como ele é sempre gentil e joga charme para todas as recepcionistas, caixas e etc de qualquer lugar, bonitas ou não, que ganham o dia e abrem um imenso sorrisão ao ouvir seus elogios - e sempre tratam a gente bem por causa dele.
Como ele sempre sabe fazer tudo; mas nunca dá certo de primeira e sempre é mais complicado do que parece.
Como é bom lembrar do tempo em que moramos juntos e era bom.
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Quinta-feira, Abril 17, 2008 10:14 AM
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Detalhes de uma casa nova...
A espera foi imensa, ansiosa e cheia de confusões. Mas finalmente arranjei um apartamento bacana e liberei o quarto de Magrão (apesar de achar que ele demorará para se adaptar à sua "antiga" cama hehehe). O doido dessa história é que desde o momento em que decidi vir para SP pensei em dividir apartamento com alguém, para que as despesas fossem dividias e eu também tivesse alguma companhia, mesmo que estranha. Pois é, não deu certo e penso que é muito melhor assim. Acho que eu, filha única e um tanto fechada para relações momentâneas, inclusive de amizade, não suportaria viver com alguém que já não fosse conhecido e querido há muito tempo. Tem males que vem para o bem. Acredito nisso mais do que nunca.
Pois então, através de Verena, menina legal amiga de Luna dos tempos de colégio, encontrei o apêzinho no mesmo prédio dela, no lugar que eu sempre quis, centro, pertinho da Av. Paulista, da Augusta, dos cinemas e de alguns amigos. A mudança foi feita no sábado, com muita dor na carteira após fazer um mercadão com necessidades básicas para uma casa, além de um estranhamento e grande cansaço por tudo.
No domingo, Reure voltou para Salvador. De lá para cá ainda não consegui dormir direito. Enquanto na casa dos meninos na Vila Gomes eu acordava bem tarde, normalmente às 10 da manhã, aqui, às 6h30 já estou revirando de um lado para o outro na minha nova cama, nos novos lençóis e no meu novo, lindo e barato edredon - ótima compra, diga-se de passagem -, provavelmente procurando algo de familiar nessa minha parada, agora permanente. Porque é isso, agora sim posso dizer, "mudei para SP".. tenho um apartamento, e tenho que ficar aqui por pelo menos 12 meses; tenho contrato da NET por 18, e a certeza de que não voltarei para Salvador antes disso.
Pois é, estou sozinha e apavorada. Eu sei, eu sei que devo ser otimista, que é o início de uma vida nova e fui eu quem quis assim, mas agora, tenho o direito de ficar assustada, como acho que poucos não ficariam. Ontem, um dia estranhíssimo, tive um surto durante a noite e chorei. Estava precisando disso.
Agora, além de milhões de coisas que preciso comprar para a casa, o peso de arrumar um emprego o quanto antes é bem maior. Já não estou mais "viajando", hospedada na casa de amigos. Agora lido com encanadores, técnicos de tv e internet, porteiros e pedreiros que montam, desmontam, instalam, desinstalam, constroem e desconstroem minha vida nova.
Quem me conhece sabe que odeio mudanças. É uma das coisas que mais odeio no mundo.. e não mudança de cor de cabelo, corte, estilo de roupa e cor de parede, mas mudança de ambiente, essencialmente. Ambientes e pessoas. Acho que nesses momentos, a insegurança, minha fiel companheira fica mais aflorada e toma conta da minha vida, trazendo à tona sentimentos que não gosto de sentir. Sei que existem pessoas que me farão sentir bem, aqui pertinho, ou mesmo a um ônibus de distância... só que agora, é nesse momento que minha aventura começa. E tenho medo... muito....
Meu pai chega hoje, para me ajudar a furar paredes, prender coisas e procurar móveis.
Ele nasceu aqui, mas odeia SP.
Perguntei ontem à noite se ele estava animado com a viagem.
Ele disse "não muito, mas será bom ver você".
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Quarta-feira, Abril 16, 2008 4:38 PM
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Sim, finalmente estou de casa nova. Estou na minha casa, morando sozinha. Tenho milhões de coisas para falar sobre minha sensações e impressões por estar definitivamente morando só em uma cidade estranha... mas hoje não.
Apesar da minha imensa felicidade por enfim ter telefone e internet, estou cansada demais porque um encanador chegou aqui, fez um mega buraco na parede da cozinha para consertar um pequeno problema, e eu tive que faxinar catando pedaço por pedaço de parede do chão, do fogão, da pia e se duvidar até do meu ouvido, tudo isso no mesmo momento em que o técnico da Net apareceu para fazer as instalações tão esperadas.
Pois é, fui eu quem quis morar sozinha não é mesmo?
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Quinta-feira, Abril 10, 2008 5:33 PM
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Os dias estão sendo loucos, e eu, mais louca ainda, entro em crise a cada meia hora.
Como foi que eu resolvi vir para SP sem emprego? Eu pensei o quê? Que montar uma casa seria algo simples e barato?
Nunca pensei que escolher roupa de cama e tapete para banheiro fosse tão difícil... e caro... não gostei das toalhas que comprei, acho que vou trocá-las... não são minha cara, não têm cara de "cores de Almodóvar".. minha antiga casa era assim, mas quero que essa também seja... estou quase lá... quando finalmente eu estiver "lá" avisarei...
Queria fazer um chá-de-casa nova, hoje tive essa sugestão... mas aqui não conheço muita gente... se fosse em Salvador tudo bem.. mas aqui, não sou muito popular....
Descobri uma agradável companhia e quase futura-vizinha (como a noção de espaço nessa cidade é meio distorcida, posso dizer que seremos vizinhas).
Tive, mesmo que rapidamente hoje, e grandemente essa semana em um momento "comprinhas na Zé Paulino", a companhia de Iloca. O bom da paulicéia é isso: sempre tem baiano aparcendo pelas redondezas.
Preciso de um emprego, agora, mais do que nunca!
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Sexta-feira, Abril 04, 2008 12:27 PM
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O aniversário de Reure foi ótimo, cheio de gente, baianada reunida com paulistas de complemento, noitada que passou por quatro bares, muita cerveja - pra quem bebe - e reencontro com pessoas muito legais que farão parte das nossas vidas de agora em diante.
Fiquei feliz por vê-lo feliz, coisas do amor. ;)
Nosso fiel companheiro dos últimos dias voltou para ssa.. foram várias saidinhas legais para barzinhos, lanchonetes, museus e cineminhas... sentiremos falta do gordinho.
E porque razão mesmo eu fui fazer jornalismo? Desde que cheguei aqui só faço enviar currículos para milhões de lugares e Reure, que nem tava procurando nada, já arrumou dois freelas legais (teve até que abrir mão de um para pegar o outro). O problema é que nos próximos dias ele trabalhará em tempo integral. Mas é por uma boa causa.
Sem grandes novidades.
Começou a chover e fazer frio.
E meu pai vem pra cá dia 17, espero já ter casa até lá!
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Quarta-feira, Abril 02, 2008 10:37 AM
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Hoje é aniversário de Reure, e apesar de eu não ser o tipo de pessoa que costuma fazer declarações de amor e fidelidade para o resto da vida, sinto necessidade de deixar o romance surgir.
Mas isso só porque ele é meu primeiro namorado; o primeiro que fez com que eu descobrisse a verdadeira sensação de ser amada e de amar de verdade, algo muito diferente de paixões destrambelhadas e passageiras.
Quando olho para ele sei que o amo porque ele é a melhor pessoa que conheci, e por isso, simplesmente por isso, sei que vou amá-lo para o resto da minha vida, mesmo que não sejamos mais namorados, mesmo que estejamos com outras pessoas, isso não importa; o importante é que ele apareceu na minha vida quando eu havia desacreditado em certos sentimentos e por ser assim, simples, tranquilo e nerd, sem precisar fazer nenhum grande esforço, me conquistou completamente.
Nem vou começar a falar aqui de toda a importância que ele teve na minha vida em diversos aspectos, porque seria um post sem fim. Mas fato é que encontrei meu melhor amigo e meu melhor namorado há quase três anos e isso me deixa imensamente feliz.
Acho que uma poesia combinaria mais com essa declaração, mas é isso que quero dizer.
Amo Sapito (que nunca ligou, e até se diverte, de ser chamado por apelidos bobos em público).
Muito.
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